O bairro do Jacintinho recebeu na manhã desta sexta-feira (4) uma audiência pública da Câmara Municipal de Maceió que teve como objetivo analisar, junto com a comunidade, a realidade da segurança na região. O debate, realizado na Escola Estadual Theonilo Gama, foi proposto pela vereadora Heloísa Helena (PSOL) e contou com a participação dos vereadores Wilson Junior (PDT), Kelmann Vieira (PMDB) e Galba Netto (PMDB).
Ao abrir a sessão, Heloísa Helena lembrou que o debate de hoje foi o terceiro realizado nas comunidades com maiores índices de violência da cidade, segundo o Mapa da Violência divulgado pelo Ministério da Justiça. Duas sessões anteriores aconteceram no Vergel e no Clima Bom. “Esse debate é importante para conhecer o dia a dia da comunidade e daqui a dois meses, quando nós vereadores formos votar a Lei Orçamentária Anual do município, possamos apresentar emendas para superação das angústias e dos lamentos desse povo”, afirmou a parlamentar.
Ao ouvir a população, a Câmara pretende exercer seu papel de fiscalizar e monitorar a execução de políticas públicas já legalmente constituídas e também propor alternativas que possam reduzir esse quadro que impacta a vida de milhares de pessoas.
Além dos estudantes e diretores da escola, a audiência contou com a presença de moradores do bairro, entre eles a Dona Terezinha, 73, que preocupada com os índices de violência registrados, pediu a melhoria na iluminação das ruas do Jacintinho.
O representante da Secretaria Estadual de Defesa Social, coronel Mendonça, defendeu o uso da cultura, esporte e lazer como elementos transversais para buscar as pessoas que estão fora do processo e dar a elas cidadania. “Estamos fazendo vídeo-monitoramento da região e a divulgação do uso responsável do telefone 181 para denúncias relacionadas ao narcotráfico, é de fundamental importância”, afirmou, defendendo a atuação na prevenção à violência.
O tenente-coronel Jordânio, comandante do Batalhão Escolar, afirmou que o foco são escolas municipais e estaduais, entre elas as 27 escolas na região do Jacintinho e Feitosa. Ele defendeu a maior participação da Guarda Municipal na ronda escolar e contou ser frequentemente procurado por alunos e diretores cobrando a presença efetiva da polícia, principalmente nos horários considerados críticos: chegada e a saída dos alunos.
O representante da Guarda Municipal, coronel Valdevino disse que o órgão está sendo reorganizado para que seja possível inserir a segurança municipal junto com a segurança estadual. “No Jacintinho, a Guarda faz segurança nos CRAS, em postos de saúde, escolas municipais e nos conselhos tutelares”, informou.
O diretor da Escola, Ivanildo Fernandes, ressaltou a importância da realização da audiência pública da Câmara no local. “Tem muito mais importância que qualquer outra coisa. É uma aula cidadã”, afirmou. Ele disse também considerar formas de violência a falta de estrutura nas escolas, a falta de professores e salários achatados. “Quero pedir encarecidamente toda atenção para o que nós vamos discutir hoje pela manhã, o espaço estará sempre aberto. Ninguém vai nos impedir de discutir as questões permanentes que a comunidade vive hoje. Chega de apertar o jornal e sair sangue”, desabafou.
Antônio Carvalho, presidente do Conselho Tutelar das regiões 5 e 6 , lembrou que as denúncias também podem ser feitas através do Disque 100. “Escutamos o clamor das pessoas. Prioridade absoluta é cultura, esporte e lazer”, opinou. Mariana Nayara, estudante da escola e representante do Movimento Levando Deus a Sério, reclamou da falta de professores, o que, segundo ela, acaba afastando alunos das escolas. Lauridana, representante do Movimento QGC – Quartel Geral de Cristo Pede, pediu mais policiamento nas escolas.
Para o vereador Wilson Júnior, a educação deve ser uma prioridade. “Jovem tem que ter atenção básica. A família é a base para esses jovens. Estamos perdendo esse elo de ligação com a família”, afirmou. Ao fazer uso da palavra, o vereador Kelmann Vieira afirmou que a Câmara não está indo para a comunidade fazer política. “Estamos tentando contribuir de alguma forma com o debate. Sou delegado de polícia há 10 anos e pela primeira vez exerço o mandato de vereador por Maceió. A violência hoje é uma realidade em nosso país. Porque nosso estado e nosso município são sempre os piores em índices de violência do país? Sabemos que falta vontade política”, afirmou.
Também presentes, o major Bertoldo, do Batalhão de Eventos da PM; o professor Pedrinho, representando a Secretaria Municipal de Educação; Teles de Farias, presidente do Conselho Estadual de Direitos Humanos e o padre Rogério.
