O fortalecimento da Cadeia Produtiva Têxtil e de Confecções é uma das apostas do Estado para o desenvolvimento da economia alagoana. Nesse sentido, o Governo irá fornecer mais de 1.200 máquinas de costura, com recursos do Fundo Estadual de Combate e Erradicação da Pobreza (Fecoep) na ordem de R$ 3 milhões.
Para o secretário de Estado do Planejamento e do Desenvolvimento Econômico, Luiz Otavio Gomes, o setor têxtil tem um grande potencial de crescimento em Alagoas. “Através da Cadeia Produtiva e da construção do Polo de Murici, iremos ampliar a produção e comercialização dos produtos. A geração de renda é um dos grandes benefícios, e vai ao encontro do foco do Governo, que consiste na erradicação da pobreza em Alagoas”, afirmou.
No intuito de promover a geração de emprego e fomentar o pequeno negócio, a Secretaria de Estado do Planejamento e do Desenvolvimento Econômico (Seplande) também desenvolve, em parceria com o Sebrae/AL, um projeto que contempla capacitações, cursos voltados para gestão, design, contas empresariais e abertura de mercado.
Fábrica da Pedra
Em quase um século de atividades, uma referência para Alagoas e, em especial, para o município de Delmiro Gouveia, a Fábrica da Pedra se tornou o primeiro polo industrial do Nordeste brasileiro junto com a implantação da primeira indústria têxtil no Sertão alagoano. Atuando no segmento de fiação e tecelagem, ela impressiona pelos números e ainda se mantém como a principal peça da cadeia produtiva da região.
Pertencente ao Grupo Carlos Lyra desde 1992, a Fábrica da Pedra está entre as dez maiores empresas do segmento do país, tem um faturamento anual de R$ 72 milhões e é responsável por 542 empregos diretos e mais de mil indiretos.
Não é à toa que os números impressionam. Com um parque industrial totalmente informatizado e com equipamentos de tecnologia de ponta, sua produção mensal é de 1 milhão e 200 metros de fios, mas sua capacidade instalada é para produzir 1 milhão e 300 mil metros de fios por mês.
Como informa o diretor administrativo da Fábrica da Pedra, Luiz Anhanguera, a linha de produção trabalha atualmente em quatro turnos, 24 horas por dia e 360 dias por ano. “Estamos entre as dez empresas do segmento mais produtivas do Brasil”, comemora Anhanguera. Segundo ele, quando o Polo Têxtil do Sertão estiver consolidado será possível aumentar ainda mais a produção em Alagoas.
De acordo com João Batista, gerente de Produção da Fábrica da Pedra, 97% da principal matéria-prima da linha de produção, o algodão in natura, é comprada do estado da Bahia, enquanto apenas 3% vem do município de Água Branca, por meio da Associação Rural dos Moradores de Quixabeira.
“Nosso consumo de algodão na linha de produção é da ordem de 300 toneladas por mês e se houver o produto temos como absolver a produção”, destacou Batista. Segundo ele, a proposta do governo de Alagoas de dar incentivo ao plantio do algodão na região vai trazer benefícios tanto para os agricultores como para a fábrica.
O processo produtivo de tecidos da Fábrica da Pedra é divida em seis etapas básicas. Na primeira, que é a preparação à fiação, é feita a abertura e limpeza dos fardos do algodão cru; a segunda consiste na produção dos fios pelas máquinas informatizadas; a terceira é a preparação à tecelagem, onde os fios adquirem resistência; na quarta, os teares finalizam o processo e ocorre a produção do tecido cru; no quinto, ocorre o beneficiamento e o tecido é submetido à produção de estampa e em cores diversas. Por fim, os tecidos são transformados em jogos de camas.
Como explica Luiz Anhanguera, diretor administrativo, atualmente 90% da produção dos tecidos é escoada para as regiões Sul e Sudeste do país e retorna para as lojas do Nordeste com valor agregado bem maior, o que encarece o preço final para o consumidor. “Quando o Polo Têxtil estiver instalado em Demiro Gouveia, o preço final para o consumidor vai diminuir em 30%”, destaca.
Anhanguera afirma ainda que a parceria entre o governo de Alagoas, o Grupo Carlos Lyra e a prefeitura de Delmiro Gouveia para viabilizar a implantação do Polo Textil do Sertão será um passo importante para o fortalecimento e consolidação da cadeia produtiva da região. “Isso vai possibilitar que boa parte da produção da Fábrica da Pedra seja destinada para os empresários locais e vai representar geração de renda e emprego”.
Maria Dolores da Silva, costureira desde os 11 anos de idade, hoje com 60 anos e próximo de se aposentar, trabalha pela segunda vez na Fábrica da Pedra e não vê motivo de se afastar de sua profissão, muito menos deixar a área de confecção. “Adoro o que faço, tenho toda assistência na empresa e não penso em parar”.
Já Geruza Maria de Jesus, que herdou a tradição da família no corte e costura, não esconde a satisfação em ser do quadro da fábrica e nem o prazer que sente ao costurar. Ela não quer nem ouvir falar em aposentadoria. “A Fábrica da Pedra é uma mãe para mim e para muita gente. Tudo o que tenho foi fruto do meu trabalho aqui e não quero abandonar a máquina nem tão cedo”, confessa Geruza, que costura desde os 16 anos de idade.
Governo do Estado aposta na força do algodão sertanejo
Recursos do Fecoep vão fortalecer associação de costureiras e produtores de algodão do Sertão em parceria com a Fábrica da Pedra
