Mais de 65 comunidades quilombolas que se mantêm vivas nos 33 municípios alagoanos reúnem seus representantes durante o III Encontro Alagoano de Remanescentes dos Quilombos com o objetivo de informar sobre como vivem hoje e quais são seus maiores desafios. A solenidade de abertura do evento aconteceu na noite dessa terça-feira (1º), no Recanto Coração de Jesus, na Serraria. O encontro prossegue até quinta-feira (3).

O evento também terá a finalidade de avaliar o Programa Brasil Quilombola, cuja iniciativa do Governo Federal teve a adesão do Estado de Alagoas em 2012, com o objetivo de proporcionar melhorias às comunidades por meio da identificação das dificuldades de acesso, implementando assim as políticas públicas de saúde, educação, assistência social e trabalho.

Segundo a gerente estadual da Política de Promoção da Equidade da Saúde, Margareth Magalhães, uma das ações do Estado, por meio do Programa Federal, é o Dia de Cidadania e Qualidade de Vida, quando vários órgãos se unem para ofertar serviços de saúde à população quilombola identificando ainda as necessidades da comunidade.

“Durante a visita aos quilombos, identificamos que muitos deles são vulneráveis a doenças como o glaucoma, câncer de pele, nanismo, pé torto e ainda possuem dificuldade de acesso à água potável - o que é responsável por enfermidades ocasionadas pelo consumo e uso da água contaminada, como as verminoses”, esclareceu Margareth Magalhães.

Para reverter a situação vulnerável em que vivem algumas das comunidades quilombolas, o encontro reúne representantes dos entes federados para juntos articularem melhorias para essas populações, como explica o professor Zezito Araújo, da Secretaria de Estado do Esporte e Lazer. “A união dos entes públicos tem o poder de transformar a comunidade que depende de políticas públicas para atender as demandas sociais”, disse.

Ainda segundo ele, as comunidades tradicionais merecem um olhar diferenciado para que sejam criadas políticas públicas voltadas especificamente às necessidades da comunidade, por meio da observação e do diálogo com os quilombolas e entendendo os seus meios de sobrevivência.

O engenheiro Diógenes Braga, da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), defendeu o bem estar físico, mental e social, como garantia de uma boa qualidade de vida, aliado às boas condições sanitárias. Já o deputado estadual Judson Cabral, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa, mencionou a importância de discutir as comunidades tradicionais, que representam o resgate da história do país.

Ainda participaram da solenidade de abertura, Vanessa Holanda, da Promoção Estadual de Saúde; Maria Silva, da Fundação Palmares; Lenilda Lima, do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra); Ana Pereira, do Instituto Feminista Jarede Viana; e Edson Moreira, professor da Ufal.

Quilombos

Para a artesã Alaíde Bezerra, da comunidade quilombola Tabacaria, localizada no município de Palmeira dos Índios, são muitas as necessidades das 89 famílias que vivem no local, mas aos poucos elas enxergam as mudanças. “Hoje somos os proprietários dos 410 hectares em que habitamos, contamos com dois agentes comunitários e ainda temos a garantia de transporte para irmos ao Posto de Saúde”, listou.

Ainda segundo a artesã da Tabacaria, o encontro é uma oportunidade de discutir as necessidades das comunidades quilombolas para melhorar as condições das famílias que lá vivem. “A nossa expectativa é que seja um encontro rico da troca de conhecimentos, porque quando diversas áreas se unem para um único fim, um passa a conhecer a necessidade do outro”, disse Alaíde Bezerra.