O campeonato da Fórmula 1 é outro e a equipe que venceu a primeira etapa do Mundial, o GP da Austrália, no domingo, a McLaren, também não foi a mesma da temporada passada, a Red Bull. Mas a técnica de dissimular e obrigar o adversário a reagir com rapidez, ao expor que seu potencial é maior do que o exposto na corrida, é exatamente a mesma.
Martin Whitmarsh, diretor da McLaren, disse, ainda em Melbourne, que os técnicos erraram no cálculo de consumo de gasolina, o que obrigou seus pilotos, Jenson Button, o vencedor, e Lewis Hamilton, terceiro colocado, a reduzir o ritmo de corrida para não enfrentar pane seca no final.
No ano passado, também na prova do circuito Albert Park, Sebastian Vettel, da Red Bull, recebeu a bandeirada em primeiro, com Hamilton em segundo. Nas conversas com a imprensa, depois do pódio, o alemão comentou: “Tinha a corrida nas mãos. Quando precisei acelerar o carro, ele estava lá, disponível, como depois dos pit stops. Corri sempre com uma reserva.”
Vettel utilizou discurso semelhante em outras provas, em 2011, a exemplo de Mônaco. Nada era ao acaso. O objetivo, induzir a concorrência, basicamente a McLaren, a entender que os esforços de melhorar o carro não a levariam a nada.
Whitmarsh chegou a dar detalhes de suas dificuldades, a fim de reforçar a ideia de que o modelo MP4/27-Mercedes de Button e Hamilton pode responder ainda melhor: “Desde a volta 8 (o GP teve 58) tivemos de conter severamente o consumo de combustível. Inquestionavelmente, poderíamos ter sido mais rápidos e ficado em primeiro e segundo”, garantiu.
RECADO À RED BULL
Com toda certeza, o recado tinha um endereço principal: os responsáveis pela escuderia Red Bull, a que deu mostras de possuir desempenho apenas pouco inferior ao da McLaren no GP da Austrália, com Sebastian Vettel classificando-se em segundo, na frente de Lewis Hamilton.
Whitmarsh tratou de explicar que a McLaren só não fez a dobradinha por causa da entrada do safety car, da 36ª à 39ª volta, em razão da posição perigosa do Caterham de Vitaly Petrov, parado na reta dos boxes, depois de um forte acidente.
“Foi uma falta de sorte, nossos dois carros fizeram o pit stop e logo em seguida o safety car entrou na pista. Perdemos 10 segundos.”
Como Vettel parou durante a permanência do safety car, foi possível deixar os boxes na frente de Hamilton, assumindo a segunda colocação.
Mas apesar de a técnica de desencorajar a concorrência fazer parte do elenco de ações psicológicas de uma disputa como a da Fórmula 1, com certeza os engenheiros de Red Bull, Mercedes e Lotus, equipes mais bem estruturadas e com carros que nasceram muito bem, estudaram mudanças já para o GP da Malásia, no domingo. E isso vale para todos que disponham de recursos para enviar novos componentes de suas bases, na Europa, para o circuito de Sepang, próximo a Kuala Lumpur.
Com ou sem dissuasão, a McLaren vai enfrentar já nesta sexta-feira, dia dos primeiros treinos livres da segunda etapa do campeonato, adversários que aprenderam muito com a primeira prova do ano e, provavelmente, vão exigir ainda mais de Button e Hamilton. Por exemplo, que seu time não mais erre na previsão do consumo de gasolina, pois se reduzir o ritmo, como em Melbourne, vai perder a liderança da corrida.
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