Sócrates reinventou o toque com o calcanhar, jogada característica do meio-campista que encantou o mundo juntamente com a seleção brasileira na Copa de 1982. Politizado, o ex-jogador foi um dos mentores da Democracia Corintiana, movimento que dava poderes aos jogadores do clube nas determinações da diretoria. Vítima de hemorragia no esôfago, em complicações ocasionadas por cirrose, Sócrates faleceu aos 57.
Ele, no entanto, deixa um legado inestimável ao futebol. Sócrates misturava técnica no trato com a bola e postura incisiva diante de decisões extracampo. Embora tenha se dedicado à medicina após largar os campos, o ídolo corintiano não venceu a batalha contra o alcoolismo. três meses antes de falecer, o ex-jogador havia parado de ingerir bebida alcoólica, apesar de seguir fumando.
BOTAFOGO-SP
O paraense Sócrates Brasileiro iniciou a carreira no clube de Ribeirão Preto, que defendeu entre 1974 e 1978. Em 1977, fez parte do melhor time da história do Botinha, venceu o primeiro turno do Campeonato Paulista e foi o artilheiro da competição.
REFORÇO CORINTIANO
Em 1978, o São Paulo tinha praticamente acertado a contratação da revelação do Botafogo-SP. Mas o folclórico presidente corintiano Vicente Matheus mandou um representante se reunir com os são-paulinos, fingindo interesse no volante Chicão. Enquanto isso, Matheus foi para Ribeirão e voltou com Sócrates.
SELEÇÃO
Não foi campeão do mundo, mas entrou para história atuando na Copa de 1982 numa das seleções mais fantásticas de todos os tempos, ao lado de craques como Zico, Falcão e Júnior. Quatro anos mais tarde, perdeu um pênalti na disputa com a França, que eliminou o Brasil no México.
CONQUISTAS
Além do Mundial, faltou em seu currículo um título brasileiro, que o Corinthians perseguia. Com o clube faturou o bicampeonato paulista em cima do São Paulo (1982 e 1982). Antes, em 1979, conquistou seu primeiro estadual, também com o alvinegro. Pelo Flamengo, foi campeão carioca em 1986.
CALCANHAR
Aprendeu a usar o toque de calcanhar para compensar a lentidão nos tempos de futebol de salão. A jogada virou sua marca registrada. Ainda pelo Botafogo, usou o calcanhar para fazer um gol de placa no Santos.
MÚSICA
Sem o mesmo talento demonstrado nos gramados, Magrão tentou levar a música a sério após se aposentar. Fez uma parceria com um guarda rodoviário para compor e cantar. A idéia era se apresentar em casas noturnas de Ribeirão Preto.
TIME DO CORAÇÃO
Até chegar ao Corinthians, torcia pelo Santos. A identificação com o time do Parque São Jorge, porém, fez Sócrates virar casaca. Dizia ser impossível jogar pelo Corinthians e não virar torcedor do clube por causa da Fiel.
CASAGRANDE
Parceiro de Sócrates no Corinthians. Era um dos jogadores mais politizados do clube, ao lado de Vladimir. Em momentos dramáticos, os dois também dividem certa cumplicidade. Quando foi internado no Einstein, na última semana de agosto, Sócrates comentou os sintomas da cirrose hepática e do tratamento, lembrando das viagens que Casagrande sofria, quando também tinha crises de dependência química.
