Miguel Falabella é um autor de humor ferino. Muitas vezes sarcástico mesmo.

E é este seu texto debochado que assume o horário das 19h da Globo a partir desta segunda (17), na novela Aquele Beijo.

Desde a estreia como ator em Sol de Verão, de Manoel Carlos, em 1982, muitas águas rolaram e seu personagem mais marcante foi mesmo o Caco Antibes, do Sai de Baixo, sucesso no fim dos anos 90.

Falabella mostrou, desde muito cedo, que não era apenas um rostinho bonito. Sua primeira novela como autor foi em 1996, quando escreveu Salsa e Merengue, com Maria Carmem Barbosa.

A parceria com a autora começou em 1990, quando os dois trabalharam juntos em Delegacia de Mulheres. Em 2005, eles também assinaram A Lua Me Disse. No mesmo ano, Miguel e Maria Carmem fizeram Toma Lá Dá Cá, que começou como especial de fim de ano e, em 2007, entrou para a grade semanal da TV Globo.

Sua novela mais recente na televisão foi Negócio da China, em 2008, novela que escreveu sozinho pela primeira vez, mas que foi marcada pela saída de Fábio Assunção e a falta de talento de Grazi Massafera para o posto de protagonista.

No teatro, o nome de Falabella quase é sinônimo de sucesso, como as peças A Partilha, Os Produtores e A Gaiola das Loucas. O ator ainda participou de 11 filmes, além de ter dirigido o longa Polaróides Urbanas, em 2008.

Confira a entrevista com Miguel Falabella enviada pela CGCom (Central Globo de Comunicação).

Como surgiu a ideia da novela?
Miguel Falabella –
Aquele Beijo nasceu a partir de personagens. A história surge a partir de minhas observações. Eu gosto de criar personagens que são politicamente incorretos porque existe verdade no que eles dizem. Eu trabalho com o universo do subúrbio carioca, vejo o mundo e ouço pessoas falando. A graça da vida é isso, é a diferença entre as pessoas.

O que não pode faltar em uma novela sua?
Falabella – 
Humor. Aquele Beijo é uma comédia romântica com um olhar particular da vida. Eu vejo humor até nos piores momentos da vida. Temos que ter a capacidade de rir de nós mesmos.

Você é um ator e autor muito teatral e musical. Como poderemos ver essas características na novela?
Falabella – 
Os atores brilham quando saem do básico. Meu texto é teatral, para que o ator tenha o que dizer, para que ele também possa criar. Isso é o que diferencia, dá alma ao personagem. Assim, você rompe com tudo, fica teatral e não naturalista.

Como foi a seleção do elenco?
Falabella –
Teremos atores que já estão familiarizados com meu texto, com meu estilo. Mas também tenho agradáveis surpresas no meu elenco.

O personagem de Sandro Christopher, o Bob Falcão, é fã de Elvis Presley. Por que você criou esse personagem? Você também é fã do cantor?
Falabella – 
Adoro Elvis. Ele foi o primeiro branco que era negro, foi erótico, rebolava e levava o público ao delírio. Ele é muito especial.

Quais seriam os traços mais marcantes da mocinha Cláudia?
Falabella – 
Ela é uma heroína como as que existiam anos 30. As minhas mocinhas erram. Ela é atrapalhada, cai do salto, chora quando vai consolar alguém, se desgoverna. A Giovanna é perfeita para esse papel. Ela consegue exprimir as características da personagem, parece uma mulher real e demonstra um amor crível.

E da vilã interpretada por Marília Pêra? O que podemos esperar de Maruschka?
Falabella – 
Marília é o Ronaldinho da dramaturgia. Ela dá uma aula de interpretação para todos. Vou assisti-la e aprendo com ela. Ela dá um show em marcação e respiração. Enfim, Marília é grande. Podemos esperar o melhor.

A ideia da Van Premiere foi sua? Por quê?
Falabella – 
A van foi a minha homenagem ao teatro brasileiro, que vive disso hoje em dia.

Em suas novelas você costuma falar de Portugal. Por quê?
Falabella – 
Eu adoro Portugal e tenho uma ligação grande com o país, que já foi palco de algumas montagens teatrais que fiz. Em Aquele Beijo, além de Ricardo Pereira e Maria Vieira, conhecidos atores portugueses pelo nosso público, teremos a atuação de Marina Mota, pela primeira vez na telinha brasileira. Marina é uma atriz renomada em seu país, com uma forte ligação com o humor.

Como é trabalhar com os diretores Roberto Talma e com Cininha de Paula?
Falabella – 
Eu trabalhei com Talma a minha vida inteira. Fio ele que me colocou na televisão, há 30 anos. Cininha é minha amiga há anos. Estamos todos em casa, temos muita liberdade. Trabalha-se com afeto e humor. Isso é muito importante para ter sucesso.

Aquele Beijo vai substituir Morde & Assopra.