Eita, meu coração acelerou agora, recebendo essa foto postada no perfil da Prefeitura de Porto de Pedras, com 1 pouco da história desse casarão construído em 1920 pela minha família materna, os da Cunha Lima. 

Confesso que sou apaixonado por ele, desde sempre, onde passávamos todos os verões, desde a infância. De dezembro a fevereiro, todos nos reuníamos lá, incluindo meus tios e todos os primos, inclusive os que moravam, e moram, em Recife. Nas minhas + distantes lembranças, permanente desejo de morar lá. A vida me levou aos Estados Unidos, ao Rio de Janeiro e São Paulo, mas essa vontade numa passou. Desde que voltei para Maceió, o Casarão das Estrelas segue no meu imaginário como minha derradeira morada, antes de ultrapassar o umbral da eternidade. 

Além de tudo, o fato de minha avó estar lá quando minha mãe deu sinais de que nasceria, e como não deu tempo de voltarem para Maceió, mamãe Hilza nasceu nesse casa e seu amor por ela me veio como herança genética. 

Tudo nessa casa é incrível. Sua arquitetura colonial, com janelas e portas azuis me encantam. Nos últimos e recentes anos, venho escolhendo cores diversas e a cada temporada, lá estava meu “templo”, repaginado. Já foi vermelho, amarelo, azul claro, verde cana… mas sempre mantendo o azul colonial característico do estilo. A espessura das paredes de taipa é inimaginável. O gradil de madeira que transforma as 3 portas em  janelas na fachada é 1 luxo. Outro detalhe que também adoro. Como o pé-direito é muito alto, as paredes que separam os vários quartos não vão até o telhado, e nas férias, jogar travessos de 1 cômodo pra outro era divertidíssimo. 

Até o ano passado, tínhamos 1 mangueira que mamãe plantou quando tinha 5 anos de idade. Ela agora tem 93, e a árvore  quase centenária. Não era manga espada nem rosa, eram mangas-côco, enoooormes, que caiam sobre a parte de trás da construção, destruindo completamente o telhado. Por + que escolhêssemos os frutos, não dava vencimento. Elas sempre caiam quebrando inclusive os caibros que sustentam as telhas, comprometendo a estrutura. Doeu muito tomar essa decisão, mas preservar o casarão falou + alto, e a mangueira deixou de existir, e com ela, muitas histórias ficaram só nas lembranças. Meus bisavós tiveram 3 filhos, tio Pedrinho, meu avô Luiz e minha tia Isaura, que faleceu com quase 100 anos, solteira. Tia Zazá nunca namorou e por muitos anos, o casarão era conhecido como “a casa de dona Isaurinha”, que doce toda, se desdobrava em carinhos e paciência com os trocentos sobrinhos que invadiam seu sossego nos verões. 

Coração acelerado e emocionado com  tantas, felizes e inesquecíveis lembranças, principal foco desta postagem. + que a preservação de bem material e físico, o valor imaterial é o + importante pra mim.  Aproveito para parabenizar o prefeito Henrique Vilela e sua 1ª Dama, Marcinha Cunha, neta de meu primo Aloísio Cunha, que aos 100 anos segue celebrado por todos pela correção de sua passagem pela prefeitura, tendo sido eleito e reeleito. Primo Zizo é o ex-prefeito alagoano + idoso, ainda vivo, no estado. Henrique foi reeleito com + de 80% dos votos, comprovando a excelência de sua administração, que visa o futuro sem deixar de valorizar o passado. Como ter transformado a antiga delegacia/cadeia num museu que mantém viva a história da cidade e da região. Felicito o prefeito pela nomeação da jornalista Zélia Cavalcanti, ela que, como secretária de Turismo vem realizando incrível  trabalho, como o resgate da história. Como esta postagem que reproduzo aqui acima desse texto, que confirma Dom Pedro II como hóspede de meus bisavós, assim como 3 pilotos de 1 hidroavião norte-amricano na época da 2ª guerra mundial. 

Como já publiquei, profundo desejo de fazer de Porto de Pedras minha última morada, tanto que já sonhei sendo sepultado no incrível cemitério, que fica no alto do morro, com subido por isso íngreme ladeira atrás da matriz de Nossa Senhora da Glória. Espero que esse dia demore, para que eu consiga viver meus últimos anos lá, na poética e lúdica Porto de Pedras, terra onde se formou a família de minha mãe. Lembrei agora do amor que meu pai Rubens tinha pelo casarão e pela cidade, parecendo até que era berço de sua família e não da mamãe. Ele amava ir pra lá, onde curtia looongas temporadas. Amava sentar na calçada e conversar com todo mundo que passasse. Tanto que o casarão acabou sendo “a casa de seu Rubinho”. 

É isso, manter a história viva é fundamental para sabermos de onde viemos e para onde iremos. Sigo aqui em Guaxuma, “deixando a vida me levar”, torcendo que o caminho seja a AL101Norte e Porto de Pedras minha última parada nesta existência. 

Que assim seja!!!