Eita, tantos dias pensando nesta postagem de hoje, que não sei nem por onde começar, já que muitos e importantes pontos quero abordar.
Bom, vou do início do dia.
No próximo dia 11 de março, completo + 1 ano de vida, fechando meu 59* aniversário. Consequentemente, no dia seguinte, inicio meu ano 60. Nenhum amigo, ou amiga, concorda com este meu pensamento, que pra mim, é lógico, matemático, científico. Mas enfim, melhor ficar idoso que ter morrido jovem.
Desde sempre, detesto remédios, sou + de lambedores, chás... mas já comecei o dia, tomando o recomendado para controlar a pressão, que tomarei diariamente até falecer. Logo após, liguei a TV para ouvir notícias enquanto troco a água da Toda (minha filha de 4 patas).
Sim, minha filha sim, mesmo sendo cã, eu sou seu pai. Ela que seria morta, já que estava há 4 meses pra ser vendida num ‘pet-shop’, mas ninguém queria, ela é “vira-lata”, misturada de boxer com rodesiano, “não é raça pura”. Quando soube disso, fui lá resgata-la. Lembro até hoje do seu peso se jogando dos braços do funcionário para os meus, assim que me viu. Tinha ferida em toda a testa, já que batia a cabeça na gaiola quando via alguém. Se poupei sua vida, cuido, alimento, brinco, amo... sou seu pai, independentemente de ter gerado.
Lembrei do Thammy & Bento, que provocam revolta de ignorantes, contestando sua paternidade na campanha Natura Dia dos Pais, assunto já abordado aqui.
Mas voltando ao começo do dia, na TV, o assunto era racismo e mesmo não sendo explicitamente, externamente preto, me sinto tão vitima quanto os agredidos. Como sou muito emotivo, chorei. E lembrando do Dia dos Pais, dos ensinamentos e exemplos que recebi do meu, Rubens, como melhor herança.
Acredito que cada pessoa escreve sua história de vida, e que triste característica é ser racista. Que sentimentos fazem alguém se achar melhor que os outros, agredir, inclusive na Internet, para o mundo ver, literalmente, só porque este outro postou foto mostrando seu cabelo crespo que cresce há 3 anos para chegar ao ponto que está agora??? As reações são muito além de violentas, são absurdamente desumanas. Que exemplo esta racista está dando para seus filhos?!?!?
Mas enfim, segui pensando em exemplos, lembrando dos que tive em casa. Meu avô paterno foi caixa do Banco do Brasil a vida toda, e outro dia, encontrei placa de prata, dada pelo banco quando ele se aposentou, destacando que nunca houve em suas notas, nenhuma diferença de caixa. Vovô José Farias de Almeida nunca errou 1 conta, nem nunca quis outro cargo, já que seu prazer era fazer contas e pegar no dinheiro. Adorava, apesar de que não era ganancioso ou egotista. Pelo contrário.
Hoje me pego repetindo atitudes que observava neles, mesmo sem ter coincidência de que estava aprendendo. Quando fiz 18 anos, fui contratado para trabalhar na Prefeitura de Maceió, e passei 1 ano cumprindo diariamente minha função. Mas acabei indo morar em São Paulo. Papai me orientou e de lá, mandei procuração pra ele, que foi cancelar meu contrato, “meu filho não vai ganhar dinheiro público sem trabalhar, morando fora”, explicou.
Esta lição, como todas as outras, me norteia até hoje. Lembrando agora que há 8 anos, ele internado numa UTI, no 25 de março, dia do casamento dele com mamãe. Sai quase 10 da noite do jornal no qual trabalhava, e mesmo sendo muito tarde, fui até o hospital e expliquei ao médico plantonista que era aniversário de casamento e eu precisava dar 1 beijo nele.
Fui autorizado e encontrei-o em coma, ligado em vários aparelhos, que faziam repetitivo e calmo som. Me aproximei dele e felicitei pelas Bodas e desabafei, agradecendo por ser tão incrível pai e ser humano. Conversei muito. E num momento, foi forte meu susto quando o som da máquina se alterou, em volume e ritmo. Apavorado, chamei 1 enfermeiro que estava perto e falei o que havia acontecido. Ele chamou o médico que me explicou. Mesmo em coma, ele estava entendendo tudo que eu sussurrava em seu ouvido.
Fiquei + alguns minutos me despedindo, desejando-lhe boa noite, e o som do aparelho foi diminuindo, tranquilizando. Dei 1 beijo e 1 cheiro nele e fui embora. Não sabia que seria meu ultimo encontro nosso nesta existência.
Me lembrei agora do grave e quase fatal acidente que sofri no trânsito, em 1999, tendo ficado muitos dias em coma, e numa parada cardíaca, lembro da sensação de levitação, estava flutuando muito alto e me vendo desfalecido numa cama, e lembro claramente de vozes que tentavam me acalmar, dizendo que eu devia relaxar “pra voltar”, que “ainda não era a minha hora”. Voltei e estou aqui, depondo, emocionado e agradecido. Assim, sei que a vida não começa na maternidade nem termina no cemitério.
Engraçado, me sinto muito próximo de meu pai, que sempre me vem na memória e no coração.
Em sua figura, elegantérrimo com o inesquecível Gogó da Ema, adianto minha homenagem aos homens que são pais, tendo pênis ou não. Tenho muitos familiares e amigos que são impecáveis seres humanos, e também pais, tendo gerado ou não seus filhos. Minha reverência aos que amam seus filhos, que terão os melhores exemplos e repetirão com seus próprios filhos. Que as gerações evoluam, praticando amor ao próximo, humanidade, gentileza, empatia, solidariedade... Feliz Dia dos Pais, indistintamente!!!

