Uma alteração bastante frequente em consultório de ortopedia, são as crianças que apresentam deformidade em valgo, que se caracteriza por joelhos que se aproximam da linha média do corpo humano ( joelhos se tocam e os tornozelos se afastam). 

O Geno Valgo é caracterizado por apresentar, como já foi dito acima, alteração que deixa as pernas em formato de “X”, os joelhos ficam mais próximos e os pés mais afastados um do outro. Essa característica é duas vezes mais frequente em sexo feminino. Normalmente, crianças e adolescentes apresentam joelho valgo por algum tempo durante o crescimento, obtendo melhora até os 7 anos de idade. 

Vale salientar que o joelho é uma articulação extremamente complexa do ponto de vista biomecânico, que permite grande amplitude de movimento. Lembro ainda, que o joelho é formado pelo terço distal do fêmur, terço proximal da tíbia e pela patela, além de 2 meniscos e vários ligamentos. 

Fisiologicamente falando, muitas crianças nascem com genu-varo( como falamos na semana passada), que por volta dos 2 anos de idade deverá se resolver. A partir daí muitos evoluem para o geno valgo, ou seja, se inverte, tendo um geno valgo elevado por volta dos 4 anos de idade e que vai diminuindo até os 7 anos de idade quando se corrige espontaneamente. 

Caso o desalinhamento em valgo não se corrija e se torne bastante acentuado, a condição pode acabar prejudicando a articulação do joelho promovendo sobrecarga, com comprometimento da deambulação fisiológica. 

O tratamento vai depender primeiro de uma avaliação bem detalhada, podendo ir desde a observação, passando por fisioterapia para reforço muscular, correção postural, entre outras condutas fisioterápicas, em algum caso pode se usar órtese (cada vez menos usado no geno valgo, devido a escassos trabalhos científicos que mostre melhora com seu uso). A cirurgia é recomendada quando há falha no tratamento conservador e em casos de geno valgo progressivo, sendo então realizadas osteotomias ou episiodese temporária para correção. 

O importante é a criança ser acompanhada por um especialista periodicamente para observar o seu desenvolvimento e intervir no momento adequado. 

Manter a calma, esta é a dica, não absorver fala de pessoas não especializadas na área. 


Rogério Barboza da Silva

Médico Ortopedista - CRM 3827 TEOT 7949

Membro Titular da SBOT

Membro Titular da SBRATE

Preceptor Residência Médica em Ortopedia do Hospital Veredas

Coordenador do Núcleo de Assistência do Pé Torto - NAPT 

Contato: (82) 3218-0370 / 3218-0390 (Centro Médico do Hospital Veredas)

                 (82)3028-4887 /(82)98137-4887 ( Harmony Trate Center, sala 726)

Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/2920064734373747