Com maioria no Congresso Nacional e na CPI do Cachoeira, deputados e senadores governistas vão aproveitar o início da semana para investigar personagens ligados ao governador de Goiás, Marconi Perillo, que é do PSDB.

Nesta terça (26) e quarta-feira (27), vão depor pessoas que supostamente teriam sido elo entre o tucano e o bicheiro Carlinhos Cachoeira, preso em fevereiro na operação Monte Carlo da Polícia Federal.

A estratégia dos governistas é tentar mostrar alguma ligação do governador com a quadrilha que explorava jogos ilegais em Goiás e no Distrito Federal. Além disso, o grupo criminoso tinha ligações com várias empresas que exploravam contratos com o governo em vários Estados e com o governo federal.

O governador do DF, Agnelo Queiroz, também é suspeito de ter beneficiado o grupo de Cachoeira, mas as pessoas ligadas a ele e citadas na investigação só vão depor na quinta-feira (28).

Todos os depoimentos desta terça são de pessoas ligadas à venda da casa do governador Perillo. Em 2011, ele diz ter vendido a casa para Walter Paulo Santiago. No entanto, em fevereiro de 2012 Cachoeira foi preso na casa onde morava desde julho do ano passado. A PF suspeita que o verdadeiro dono do imóvel era o bicheiro.

Apesar das convocações como testemunha, o que em tese obrigaria os convocados a falar, a expectativa é que um único convocado nesta terça fale aos parlamentares, Alexandre Milhomen, que trabalhou na reforma do imóvel.

Os outros convocados, Lúcio Fiúza Gouthier, ex-assessor de Perillo que teria presenciado o pagamento do imóvel e Écio Antônio Ribeiro, um dos sócios da empresa Mestra Administração e Participações, em nome da qual a casa foi registrada num cartório em Trindade (GO), conseguiram habeas corpus no STF (Supremo Tribunal Federal) e devem ficar calados.

Próximos depoimentos

Na quarta (27), outras três pessoas ligadas a Perillo vão falar na CPI. Jayme Eduardo Rincón, ex-tesoureiro da campanha de Perillo ao governo do Estado em 2010 e presidente da Agetop (Agência Goiana de Transportes e Obras Públicas); Eliane Gonçalves Pinheiro, ex-chefe de gabinete de Marconi Perillo e suspeita de repassar informações sobre operações policiais para o grupo de Cachoeira; e Luiz Carlos Bordoni, radialista que diz ter recebido dinheiro do grupo do bicheiro para trabalhar na campanha do governador.

Na quinta (28), será a vez de pessoas ligadas ao governador Agnelo Queiroz (DF) prestarem depoimento no Congresso Nacional.

Foram convocados Cláudio Monteiro, ex-chefe de gabinete do governador que foi citado em escutas telefônicas como possível facilitador do esquema; Marcello de Oliveira Lopes, o Marcelão, ex-assessor da Casa Militar do DF que estaria envolvido em nomeações a favor dos interesses do grupo; e João Carlos Feitoza, o Zunga, ex-subsecretário de Esportes do DF e suspeito de receber dinheiro do grupo de Cachoeira.