Após reunião de líderes na noite desta quarta-feira (7), o presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia, decidiu adiar para a próxima quarta (14) a votação da Lei Geral da Copa. Os deputados pediram uma semana para analisar o relatório aprovado na comissão especial e apresentar destaques (propostas de modificação do texto).
 
"Os deputados querem mais tempo para negociar, apresentar propostas", explicou o relator da matéria, deputado Vicente Cândido (PT-SP). Segundo ele, é possível que o texto aprovado na comissão especial seja modificado, com o acolhimento de destaques propostos pelos parlamentares. "Sempre há espaço para acatar uma emenda ou outra", afirmou.
 
A previsão é de que seja votado em sessão extraordinária nesta quarta o regime de urgência constitucional para o projeto. Nesse tipo de tramitação, os projetos têm prioridade de votação e passam a trancar a pauta do plenário se não forem apreciados em 45 dias. Após aprovação pela Casa, o projeto vai para análise do Senado.
 
Na reunião de líderes, parlamentares de oposição pediram mais tempo para mudar a proposta. "Não temos nada contra o mérito do projeto, mas queremos ter tempo para apresentar emendas", explicou o deputado Vanderlei Macris (PSDB-SP). O tucano disse que vai tentar retirar do texto a autorização de venda de bebidas alcoólicas nos estádios durante a Copa do Mundo.
 
Segundo Vicente Cândido, não daria tempo para votar a proposta nesta quarta sem acordo. "Na próxima quarta votaremos com o compromisso de que não haverá obstrução", destacou o deputado. A demora na aprovação da Lei Geral da Copa é uma das principais críticas da Federação Internacional de Futebol (Fifa). O secretário-geral da entidade, Jérôme Valcke, chegou a dizer que o Brasil precisaria de um "chute no traseiro" para acelerar a tramitação.
 
A declaração provocou uma crise entre a Fifa e o governo brasileiro, que pediu o afastamento de Valcke das negociações sobre os preparativos para a Copa. Diante da reação brasileira, o secretário da Fifa e o presidente da entidade, Joseph Blatter, enviaram cartas ao ministro do Esporte, Aldo Rebelo, em que pedem "desculpas" pela declaração. Rebelo informou que responderia até o fim desta semana se aceitará ou não Valcke como interlocutor da Fifa junto ao Brasil.