O líder do PSDB, senador Alvaro Dias (PR), não se mostrou satisfeito com a demissão de Orlando Silva como Ministro do Esporte. Para ele, se não houver investigação sobre as denúncias de favorecimentos de aliados políticos do ministro do Esporte, queda não terá efeito profundo. O tucano avaliou ainda que a presidente Dilma Rousseff demorou para afastar o titular da pasta, assim como agiu com os demitidos anteriores. "Ele cumpriu o roteiro estabelecido pelo governo em casos de queda de ministros: viveu um calvário desnecessário", disse Dias. Ainda para o oposicionista, a presidenta mostrou-se "insegura" para tomar uma decisão.
A demissão já era esperada no Senado Federal. Governistas e oposicionistas previam que acontecesse com Silva o mesmo que ocorreu com outros quatro ministros que deixaram o governo após denúncias de corrupção. Em reportagem publicada pela revista Veja, o policial militar João Dias Ferreira acusou o ministro e assessores de cargos de alto escalão do Ministério do Esporte de participarem de um esquema de desvio de recursos do Programa Segundo Tempo.
Para o líder do bloco de apoio ao governo no Senado, Humberto Costa (PT-PE), a presidente foi coerente e aguardou as explicações do ministro antes de tomar qualquer decisão. "Acho que ocorreu o mesmo que em outros momentos: as denúncias surgem, as pessoas conseguem se defender a contento, mas surgem novas questões e politicamente fica inviável", afirmou.
Líder de um partido que se considera "neutro" em relação ao governo, a senadora Kátia Abreu (PSD-TO) afirmou nesta quarta-feira que já esperava pela saída de Orlando Silva do Ministério do Esporte. Na opinião dela, o ministro não podia permanecer no cargo e a decisão de afastá-lo foi correta. "O caminho é esse. Diante de denúncias graves não dá para o cidadão ficar no cargo. Ele pode até provar sua inocência, mas precisa se afastar do cargo. Nós devemos isso à sociedade", disse.
A decisão de deixar o cargo foi tomada durante reunião entre Orlando Silva, o ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, e lideranças do PCdoB, realizada no Palácio do Planalto na manhã desta quarta-feira. A exoneração será publicada amanhã no Diário Oficial. Quem assume interinamente a pasta é o atual secretário-executivo, Waldemar Souza. Dilma deverá tomar a decisão do substituto nos próximos dias.