Além dos pedidos de investigação encaminhados à Procuradoria Geral da República, o PSDB nacional também quer explicações na Câmara dos envolvidos no suposto esquema de corrupção montado no Ministério dos Transportes. Para isso, tucanos apresentaram terça-feira (5) nas comissões de Fiscalização Financeira e Controle (CFFC) e na de Viação e Transportes (CVT) requerimentos de convite e também de convocação. Além disso, querem esclarecimentos da Controladoria Geral da União.

Mantido pela presidente Dilma no cargo apesar das denúncias que pesam sob sua pasta, Alfredo Nascimento terá que vir à Câmara se forem aprovados  os pedidos de convocação apresentados pelo deputado Fernando Francischini (PR) na CFFC e de Vanderlei Macris (SP) na CVT. Para os tucanos, é fundamental a presença do dirigente do PR para “expor acerca do descontrole na execução financeira das obras sob a responsabilidade do Ministério dos Transportes, conforme divulgado pela Revista Veja.

As denúncias revelam aumentos frequentes nos custos de obras públicas, notadamente rodovia e ferrovias, descontrole nos aditivos contratuais realizados em contratos firmados com empreiteiras, entre outras irregularidades envolvendo contratos e verbas públicas da pasta. Ainda de acordo com a revista, o PR estaria cobrando 4% de propina de empresas prestadoras de serviços.

Na reportagem, é afirmado que a presidente Dilma reconhece “descontrole” no ministério. Mesmo assim, optou não somente por manter Nascimento à frente dos Transportes como também o designou para chefiar as investigações sobre as irregularidades, negadas tanto pelo ministro como pelo PR.

Em ambas as comissões, Macris e Francischini querem a presença, via convocação, do chefe da CGU, Jorge Hage, para explicar as providências que o órgão de controle vem tomando. Por fim, na Comissão de Fiscalização Financeira os dois deputados apresentaram requerimentos de convite a Mauro Barbosa da Silva, chefe de Gabinete do ministro dos Transportes; a Luís Tito Bonvini, assessor de Nascimento; a Luís Antônio Pagot, diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura dos Transportes (Dnit); e de José Francisco das Neves, diretor presidente da VALEC.

Os quatro foram afastados por determinação da presidente Dilma. No entanto, os tucanos acreditam que a providência é insuficiente para encerrar o caso, solucionar ou esclarecer os fatos. “A medida, no entanto, confirma a gravidade das denúncias e a presença de fortes indícios da prática de atos ilícitos”, diz trecho dos requerimentos, que devem ser votados nesta quarta-feira (6).

Filho Prodígio

A Coluna do jornalista Cláudio Humberto Rosa e Silva, publicada em vários jornais do País (em Alagoas, no jornal Gazeta de Alagoas), traz hoje nova denúncia envolvendo o Ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento. Segundo a Coluna, o filho do ministro, Gustavo de Morais Pereira, “virou empresário aos 18 anos de idade e aos 21 já era sócio de uma das mais importantes empreiteiras do Amazonas, a Forma Construções Ltda. Dois anos depois, os ativos da Forma, cujo capital social não passa de R$ 60 mil, já somavam amazônicos R$ 52 milhões.

Aos 21, Gustavo teria comprado, por R$ 300 mil, um Centro de Estudos que era dono de um terreno de 51 mil metros avaliado em R$ 30 milhões.  A oposição desconfia que o filho seria uma espécie de “laranja” do ministro dos Transportes, por isso querem investigar o caso em CPI. Um servidor, José Erasmo Souza, pediu ao Ministério Público Federal em Manaus para investigar a fortuna do filho de Alfredo Nascimento.