O ex-governador Ronaldo Lessa (PDT) pode ter o apoio do PV para a sua candidatura a prefeito de Maceió no ano que vem. Segundo a presidente estadual do PV de Alagoas e vice-presidente nacional do partido, Sandra Menezes declarou ao jornal Tribuna Independente, edição de domingo (3), que “é apaixonada” por Lessa e que “tem vários motivos” para votar nele. Outro político que tem a admiração dela é o senador Renan Calheiros (PMDB) Nessa entrevista, Sandra Menezes também confessou que tem desejo de ser prefeita da capital e falou sobre o processo de licenciamento para o estaleiro Eisa.
Veja aqui no Painel Notícias alguns trechos da entrevista de Sandra Menezes à repórter Patrícia Machado, da Tribuna Independente.
Tribuna Independente – Você tem pretensão política no Legislativo?
Sandra Menezes – Eu não. Gosto do Executivo. Se um dia tivesse chance de ser prefeita de Maceió eu ia adorar de coração. Eu sou agitada, gosto de ver as coisas acontecerem. No Legislativo a gente fica muito amarrada. Sou técnica, fui para o PV por uma história técnica. A questão política me assusta um pouco, porque na realidade o que eu entendo de política não é o que a gente vê por aí. Já me candidatei uma vez para deputada, tive três mil votos aqui na capital, e fiquei feliz porque não rolou esse negócio de compra de votos. Se árvore votasse, eu estava eleita, de tantas que eu já plantei por aí, mas infelizmente não vota. Fui por uma exigência da legislação, que na época determinou que todos os partidos teriam que ter 5% de votos válidos, caso contrário deixariam de existir. Todo mundo fez um grande esforço para sair, pois um voto ajudava.
Quem você apoiaria para a Prefeitura de Maceió?
Tem alguém que já disse que é candidato?
Ronaldo Lessa (PDT) é um deles.
Aí, eu sou apaixonada pelo Lessa. O apoiaria sem dúvida. Eu tenho vários motivos para votar nele. Além de uma admiração pessoal, ele foi o cara que criou a Delegacia de Crimes Ambientais, criou a Secretaria de Meio Ambiente do Município quando foi prefeito. Eu tive oportunidade de ser secretária dele. Criou a Secretaria de Recursos Hídricos do Estado, fortaleceu o IMA, onde eu fiquei por quase sete anos. Lessa é um cara que não interfere em seu trabalho. Se você tiver dentro da legislação e fazendo a coisa certa, um telefonema dele dizendo que não faça ou deixe de fazer não há. Ele deixa você fazer o trabalho à vontade, agir tecnicamente e juridicamente. Eu sou até suspeita de falar dele, devido à minha paixão. Vou fazer de tudo para que esse apoio do partido seja direcionado para ele.
Qual a sua relação com o senador Renan Calheiros (PMDB)?
Gosto muito dele. É uma pessoa que eu apoiaria se fosse candidato ao governo. O apoiei na reeleição ao Senado, estávamos no mesmo grupo. Acho que ele é um excelente senador, acho que ele traz recursos para cá. A vida pessoal é de cada um.
Falando agora sobre o Estaleiro Eisa. Como está o processo atualmente?
Primeiro deixa eu inserir você no contexto dos dois últimos anos. O empresário (German Efromovich) procurou o órgão do Estado (IMA), que entregou a ele um termo de referência e ele fez um estudo em Coruripe. Desde o começo, a gente vem falando que o licenciamento é federal por causa da Resolução 237 (procedimentos e critérios utilizados no licenciamento ambiental), e ela fala que qualquer empreendimento em mar territorial tem que ser licenciado pelo governo federal. Não é Sandra quem licencia, o Ibama de Alagoas não licencia, quem faz isso é o Ibama nacional. Desde o início eu disse isso, mas as pessoas, enfim, queriam dar a licença para o rapaz. O resultado foi que uma audiência pública tornou a licença inválida, porque o Ministério Público Federal entendeu a mesma coisa. Recentemente, o governador (Teotonio Vilela Filho, PSDB) viajou para Brasília, sentou com o presidente nacional do Ibama e conseguiu compreender que o licenciamento é federal e não estadual.
Quando o Ibama recebeu o que tinha de documentos do empresário, percebeu que o termo de referência dado a ele pelo Estado não é o mesmo do governo federal. Então foram pedidos mais alguns estudos, entre eles o estudo da dragagem, e do mar, que não constavam. Como é que você vai fazer estaleiro e não constam esses estudos? Numa região como aquela, que possui um dos maiores bancos de camarão do Nordeste, local de reprodução da baleia Jubarte...Então tem vários aspectos que as pessoas que estão ligadas na área sabem da importância e que as vezes, para um empresário, são insignificantes. Um exemplo é a quantidade de mangue que, no projeto, seria suprimido além da quantidade necessária. Se a gente pode poupar a natureza, o papel do Ibama é preservar o pouco que nós já temos. Não é dizer que não pode fazer. Pode, desde que você cumpra as regras. O empresário contratou um oceanógrafo, que já veio e fez alguns estudos e entregou ao Ibama para serem analisados e depois encaminhados para nós. Aqui ele será avaliado pelo setor de licenciamento. Se há dois anos tivessem feito o procedimento de forma correta, talvez o estaleiro já estivesse até funcionando.