Por Eliane Aquino
Fios de algodão enrolados e tecidos a mão, misturados em cores livres ou em tons combinados dando formatos a verdadeiras obras de arte que adornam corpos e espaços, é a definição de Tati Barros, empreendedora alagoana, artista plástica autodidata, para suas “cordinhas” que tanto encantam Alagoas, o Brasil e outros países. A magia da arte de Tati a gente traz nos braços e pescoços em forma de pulseiras e colares, nos pés como tornozeleiras, nos cabelos, como acessórios, e na decoração de casa tornando os ambientes mais leves com mandalas e inspirais que traduzem talento, e paz.
É possível enrolar, duas, três cordinhas em um braço e brincar de “pulseirismo”, exalando vida em cores e beleza. Cada cordinha possui detalhes próprios, exclusivos até, e é difícil escolher apenas uma quando estão à vista. A inspiração? É com poesia que Tati nos conta: “A inspiração vem da natureza, em especial das formas espiraladas que podemos observar em brotos de plantas, flores, casulos, caracóis, ninhos, em tudo que observamos há um espiral de vida, isso me inspira, me move, costumo dizer que é a assinatura de Deus na natureza e as cordinhas imprimem essa magia nas mandalas e no próprio desenho e técnica em que são produzidas todas as peças”.
Mas como tudo tem um começo, o das cordinhas Tati Barros foi em Palmeira dos Índios, terra da artista. “A ideia surgiu ainda na infância, em Palmeira dos Índios, minha terra natal, onde eu já criava ‘esculturinhas’ de fios coloridos de telefone que meu pai trazia do trabalho, e o espírito empreendedor também começou ali, porque eu já vendia na porta de casa”, relembra, rindo.
Mas só em 2005 ela criou o primeiro colar com fios de algodão e penas naturais e “com uma pegada étnica e natural que é bem visível em todas as peças desde o comecinho, e do primeiro colar já criei as pulseiras de enrolar no braço e outras peças e comecei a vender para amigas, foram 5 anos assim até começar a divulgar nas primeiras redes sociais, blogs e no antigo Orkut, aí não parei mais, em 2013 fiz meu primeiro site e logo depois vieram as novas redes sociais”, acrescenta.
Segundo Tati, as peças decorativas não são feitas por encomendas, elas são criadas para algum evento específico ou nascidas de sua inspiração em algum momento especial. “Então essas peças ficam à venda e têm um peso menos comercial do que as cordinhas, que são adornos de moda pessoal e bem mais procuradas”, diz a artista. Sobre essas peças para decoração, Tati revela as que mais ama fazer: “são as mandalas, onde eu misturo palha com um espiral de cordas coloridas no centro”. Já as luminárias de cordas coloridas, são as “meninas dos olhos” de Tati Barros.
Com sua empresa formalizada há nove anos, Tati Barros trabalha em equipe. “Hoje somos em três pessoas, uma artesã maravilhosa que me ajuda na produção das peças “em série”, se é que podem ser denominadas assim, porque apesar de algumas serem reproduzidas nunca ficam idênticas por serem totalmente artesanais, e outra pessoa que me ajuda na logística geral, entrega, envio, contato com fornecedor etc. Não conseguiria ter muitas pessoas produzindo as cordinhas em especial porque sou muito perfeccionista e exigente com a qualidade do produto, então prefiro agregar valor à peça para melhorar o retorno financeiro do que produzir em grande escala e sair do padrão Tati Barros, já conhecido há mais de 15 anos”, explica.
Tendo as redes sociais como vitrines, Tati Barros vende mais para fora do que para dentro de Alagoas. Suas cordinhas e peças decorativas já chegaram a praticamente todos os estados brasileiros e também na Alemanha, Portugal e França. “Já tive uma revendedora na Califórnia por 3 anos”, informa Tati, que faz sucesso com seus produtos junto aos turistas que visitam Maceió através de uma loja no Club Hibiscus, no bairro de Ipioca. “Fazem (as cordinhas, principalmente) o maior sucesso por lá”, reforça.
Quem é o público de Tati Barros? Ela esclarece: “são mulheres e alguns homens também, de todas as idades, com estilo despojado, que curtem acessórios artesanais, que não são reféns da moda, que são autênticas, coloridas e de alguma forma conectadas com a natureza. Essas não resistem (risos)”.
O tempo de produção depende muito da peça, mas leva em geral entre 1 a 2 horas as mais simples, e até dias as mais complexas, explica Tati. “A cliente escolhe a peça através de fotos ou no Instagram ou site, daí tem o processo de produção que leva em torno de 1 semana até 15 dias dependendo da peça, e também tem a possibilidade de ter peças para pronta entrega, então o processo de pedido e entrega ao cliente é também bastante minucioso, por envolver o carinho de uma artista apaixonada pela arte e pela missão de levar afeto através dessa arte”, destaca.
Tati Barros é artista plástica autodidata, com cursos de pintura em tela com artistas alagoanos, mas diz que “foi na raça e curiosidade que cheguei até aqui, já participei de duas exposições coletivas de arte com pintura e arte têxtil, a primeira no Sesc, foi a exposição “Olhos do Jardim”, e a segunda na galeria do Anexo Teatro Deodoro, a exposição, “Partitura Cromática” com a obra maravilhosa “CASULUZ”, e já fiz também uma exposição individual chamada “Inspiral”, no Café da Linda, Teatro Deodoro, que contou um pouco dessa minha história de inspiração nos espirais com obras de pintura, bordado livre, cordas, mandalas”.
Para conhecer e adquirir as peças de Tati Barros:
