O CEO da Blackberry, John Chen, espera que o que aconteça em Vegas não fique só em Vegas. A companhia está planejando impulsionar seu sistema operacional de tempo real, o QNX, para iniciativas em Internet das Coisas durante a CES, feira internacional de eletrônicos que acontece em janeiro. 
 
A BlackBerry adquiriu o QNX em 2010, usando-o em seu primeiro tablet PlayBook antes de avançar no desenvolvimento do sistema operacional móvel BlackBerry 10. O software também aparece em muitos sistemas de entretenimento para carros. 
 
Cautelosamente, Chen não afirmou que a BlackBerry irá, ela própria, introduzir novas “coisas conectadas” em Vegas, apenas que irá destacar suas iniciativas em Internet das Coisas e que haverá novas demonstrações de tecnologias e novos produtos. 
 
Segundo a companhia, 43% do seu crescimento orgânico no terceiro trimestre fiscal está na receita de licenciamento de software, encerrado em 28 de novembro. O QNX foi um dos principais motivos para isso, indicou Chen. 
 
A BlackBerry tem se mantido ocupada em licenciar o software para outras fabricantes, que o tem escolhido para seus próprios hardware, incluindo aplicações novas para carros, alguns deles em carros autônomos, declarou Chen. 
 
Enquanto a BlackBerry tem encontrado dificuldades em sua área de hardware, essa pode ser ainda salva pelo último smartphone da companhia, o Priv, que usa como sistema operacional o Android, disse Chen.
 
O Priv foi colocado à venda no dia 4 de novembro nos Estados Unidos e Canadá e ficou disponível em quatro países antes do fechamento do trimestre fiscal da empresa algumas semanas depois. Chen espera vender o aparelho em 31 países até o final de fevereiro. 
 
O executivo tem se concentrado em tornar lucrativa a venda de telefones, e acredita que a área de negócios em hardware consiga empatar com seu atual trimestre fiscal ou talvez fazê-lo no seguinte. 
 
Porém, a modesta contribuição do Priv para tal rentabilidade pode ser de curta duração: enquanto está sendo vendido a um preço mais alto do que outros produtos, Chen espera cortar o preço significativamente quando competidores mostrarem seus últimos telefones durante a feira Mobile World Congress, que acontece fevereiro em Barcelona. 
 
Embora a companhia ainda esteja no vermelho, há sinais para otimismo, disse Chen, incluindo uma menor reviravolta na receita: é a primeira vez em dois anos que a companhia tem visto aumento na receita de trimestre a trimestre. Ele espera que tal tendência continue nos três segmentos de mercado da BlackBerry: software, serviço de troca de mensagens e agora hardware. 
 
Vale destacar que as taxas de acesso de serviços - as assinaturas que os usuários do software mais antigos da BlackBerry usam para acessar seu serviço de mensagem - se encontram em declínio.  Mas tal declínio, mesmo que aconteça mais rápido do que previsto anteriormente, agora é compensado pelo crescimento nas vendas de software.
 
Enquanto as dificuldades da Blackberry se concentram na área de hardware, essa pode ser salva pelo último telefone da companhia, o Priv, disse Chen.