Pagamentos feitos a jogadores em dinheiro vivo, além de entrada e saída de receitas vultosas sem qualquer ligação aparente com um clube de futebol, como de empresas de publicidade e até de comercialização de grãos, foram alguns dos pontos que motivaram o Ministério Público Federal (MPF) a protocolar na Justiça denúncia contra o ex-senador Luiz Estevão por lavagem de dinheiro. Segundo a acusação, apresentada no último dia 8, ele usou o clube de futebol Brasiliense, do qual é "patrono", para justificar a movimentação de dinheiro ilícito.
Se condenado, Luiz Estevão pode pegar uma pena de até dez anos acrescida de dois terços por reincidência – o que daria cerca de 16 anos de prisão –, além do pagamento de multa. O valor não foi divulgado pelos procuradores Bruno Calabrich e José Alfredo de Paula Silva, responsáveis pela denúncia. Eles querem evitar recursos dos advogados que defendem Estevão. Segundo os representantes do MP, a defesa poderia alegar, entre outras coisas, ilegalidades na quebra de sigilo bancário do ex-senador.
Investigações - A denúncia foi apresentada à 10ª Vara Federal de Brasília após sete anos de investigações do MP. Nesse período, foram analisadas as movimentações financeiras da principal conta bancária da equipe do Brasiliense entre 2001 e 2005, que teve sigilo quebrada pela Justiça. Os procuradores concluíram que o maior volume de recursos movimentados pela agremiação futebolística referia-se a créditos ou débitos relacionados a empresas do Grupo OK.
De propriedade de Luiz Estevão, o Grupo OK teve suas contas bloqueadas em razão do envolvimento do ex-senador no desvio de mais de 169 milhões de reais destinados à construção da sede do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), na cidade de São Paulo, entre 1992 e 1998.
Além da natureza da movimentação financeira, a semelhança e proximidade entre datas e valores de depósitos, saques e transferências comprova que a conta do Braziliense foi utilizada como "mera conta de passagem", com o principal propósito de "dificultar o rastreamento do dinheiro desviado dos cofres públicos ou oriundo de outras atividades criminosas”, destaca, em nota, o Minitério Público Federal.
De acordo com os procuradores, mesmo quando os dividendos em jogo estavam relacionados com os afazeres do clube, como repasses da Secretaria de Fazenda e Planejamento a título de incentivo ao esporte e créditos da Caixa Econômica Federal decorrentes da participação em loteria esportiva, o montante era, pouco tempo após o depósito, transferido para empresas do Grupo OK.