A Secretaria de Estado da Promoção da Paz (Sepaz) colhe os resultados de seus esforços na missão de promover a cultura de paz na sociedade. Em 2011, o órgão priorizou três eixos importantes: Educação de Paz nas Escolas; Cultura de Paz na Sociedade, com a criação dos Agentes da Paz, e políticas de prevenção e recuperação de dependentes químicos.

De acordo com o secretário da Paz, Jardel Aderico, o ano foi de estruturação para a secretaria. “Todo esse avanço aconteceu em consequência do resultado da reforma administrativa que transformou a Sepaz de pasta especial para secretaria executiva”, explica ele, esclarecendo que, na prática, a secretaria pode começar a atuar legalmente na questão das políticas sobre drogas.

Um exemplo disso é o projeto Acolhe Alagoas, destaque nacional em 2011 ao estabelecer parcerias entre governo estadual e comunidades terapêuticas para a recuperação de dependentes químicos. Após a visita de equipe do governo federal ao Estado, a ministra da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, Maria do Rosário, reconheceu a iniciativa como referência nacional, destacando o modelo como exemplo a ser discutido para aplicação nos outros estados do País.

Hoje, o Estado tem parceria com comunidades de perfis diversos e disponibiliza leitos para internação voluntária – o número ainda deverá aumentar graças aos esforços da secretaria. Desde o inicio do programa, em julho de 2010, passaram pelas casas de acolhimento cerca de quatro mil pessoas dependentes de drogas.

Governo investe em educação emocional nas escolas

Aposta no futuro por meio da educação emocional, o programa de Cultura de Paz nas Escolas é uma etapa fundamental para a promoção da cultura de paz em Alagoas. Segundo Jardel Aderico, é preciso acabar com a cultura da violência e, para isso, as crianças aprendem a lidar, desde cedo, com seus sentimentos e resolver os desentendimentos de forma madura e pacífica.

“O projeto atende a um número crescente de crianças da rede de ensino público. É um investimento muito baixo diante dos benefícios futuros”, disse ele. “Apesar de ser apenas uma semente, o projeto já começa a mostrar resultados: os pais e os professores começam a notar que os alunos estão mais calmos, brigam menos, tem mais diálogo”, acrescenta o secretário.

E a paz também vem sendo disseminada entre os mais velhos. Voltado para os adultos, o projeto Agentes da Paz capacita agentes para mediar pequenos conflitos e multiplicar a política da paz. Até o mês de dezembro de 2011, cerca de três mil pessoas foram capacitadas nas cidades de Maceió, Pilar e São Miguel. Novas turmas, voltadas também para os demais municípios alagoanos, já estão previstas para o os primeiros meses de 2012.

Novas ações

Segundo Jardel Aderico, uma das principais iniciativas a ser encabeçada pela Sepaz em 2012 é a interiorização das ações. “Em 2011, as ações se concentraram na capital. A ideia é que este ano possamos dobrar o número de municípios beneficiados com as ações da secretaria”, explica ele.

Atualmente, o projeto Educação para a Paz nas Escolas e nas Famílias atende 16 cidades. Também há previsão da criação de novos leitos para a recuperação da dependência química, pelo projeto Acolhe Alagoas, no Hospital Ib Gatto, em Rio Largo.

Outro desafio é a reestruturação do Núcleo Estadual de Atendimento Socioeducativo (Neas). “Estamos nos reunindo nesse sentido. Até agora, a maior conquista foi o decreto assinado pelo governador onde fica oficializada a participação de todos para transformar o Neas em um espaço efetivo de ressocialização que promova medidas socieducativas e não apenas paliativas", diz o secretário.

O desenvolvimento do projeto prevê 150 ações, inseridas em seis eixos, que englobam reformas física e pedagógica, projetos de recuperação de dependentes químicos – que correspondem a cerca de 95% dos internos e têm motivado a maioria dos crimes – e implantação de regime semiaberto.

Para concretizar a missão, a Sepaz articula um empenho coletivo junto às Secretarias de Estado da Saúde (Sesau), da Educação e do Esporte (SEE), da Defesa Social (Seds), do Trabalho e Qualificação Profissional (Seteq) e da Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), além do Ministério Público Estadual (MP) e do Poder Judiciário. “Como disse o chefe do Gabinete Civil, Álvaro Machado, estas ações devem ser maiores que a Sepaz. É uma ação conjunta do Governo do Estado”, expõe ele.