Um namoro pela internet. Assim a palmeirense Sandra Maria Cavalcante Silva, mais conhecida por Sandra Macaíba, conheceu o português Fernando Jorge Simões Ferrano que em 30 dias saiu do seu país de origem e inicou um relacionamento com a professora universitária.

Bastante popular na cidade, Sandra estava tentando curar as feridas recentes da perda de um filho que havia cometido suicídio e dos pais, que também haviam falecido num curto espaço de tempo. Ela era filha do casal Paulo e Teonas. a professora tinha se dedicado ao relacionamento com o português Fernando de "corpo e alma". Acreditava ser o início da reconstrução de sua vida, abalada nos últimos anos por perdas irreparáveis.

Entre altos e baixos, Sandra e Fernando montaram um pequeno negócio - uma lan house - na Rua José Pinto de Barros no centro da cidade e tudo parecia ir bem. Em pouco tempo se casaram no civil, numa cerimônia celebrada pela então juíza da comarca Sônia Beltrão no forum da cidade.

Após o matrimônio, Sandra e Fernando tiveram um período de turbulência no relacionamento, chegando ao ponto em que a professora "prestou queixa na delegacia da conduta do marido".

Separaram-se. Após um período afastados, Fernando seguiu de volta para Portugal e Sandra ficou. Parentes afirmam que o sentimento foi maior e Sandra resolveu partir ao encontro de Fernando que estava morando àquela altura na cidade de Albufeira, sul de Portugal. Em agosto de 2010, ela deixou Alagoas e reatou o relacionamento com o marido português, mas ficou desempregada. Lá, as dificuldades também foram crescendo e a professora universitária, formada em relações públicas, para conseguir um emprego nas cidades portuguesas e para conseguir dinheiro de seu sustento foi obrigada a trabalhar como serviçal.

Desanimada, Sandra pensava em voltar para o Brasil caso nada mudasse.

Tragédia
E veio o mês de junho e Sandra Cavalcante não esperou. Nos últimos dias do mês, a professora palmeirense foi encontrada morta na cidade de Albufeira, sul do país com um tiro no peito. Fernando, o marido, disse à polícia que Sandra havia se suicidado. Os parentes não acreditaram na versão.

A prima de Sandra, Sheila Duarte, afirmou que " ela estava de viagem marcada para voltar ao Brasil. O ex-marido mandou a passagem e ela chegaria na terça, 28. É estranho que ela tenha feito uma coisa dessas sabendo que estava voltando para casa."

Sheila disse ainda que a família só ficou sabendo da morte de Sandra no domingo, dois dias após o ocorrido, por meio de contato telefônico com uma vizinha do casal e concluiu: " A gente não entende porque o marido dela não entrou em contato conosco se ela tirou a própria vida. É por isso que a gente suspeita que ela pode ter sido assassinada. Eles não viviam como um casal normal. Ela demonstrava ter medo dele e duas vezes registrou queixas por agressões. Ele era um homem violento, que dizia ter servido o Exército de Portugal na África. Uma vez ele me falou que tinha sido enganado, que ela teria dito para ele que possuía casas de aluguel em Palmeira dos Índios ", conta Sheila Duarte.

Causa Mortis
As últimas informações, porém, afirmam que a autopsia revelou que a morte se deu por suicídio. " Encontraram pólvora nas mãos de Sandra ", disse um informante.

Fernando, o marido, havia sumido porque poderia ser preso por abrigar uma imigrante sem visto e ainda por ter porte ilegal de arma.

Luta para trazer o corpo de Sandra
Familiares de Sandra tentam agora trasladar o corpo para o Brasil. Marcela Cavalcante, outra prima de Sandra, tenta arrecadar junto a familiares e amigos a soma de 15 mil reais, o valor das despesas para levar o corpo de Sandra para Palmeira dos Índios.

O corpo de Sandra encontra-se num necrotério e a despesa diária para mante-lo custa 40 euros. Caso passem mais de 30 dias sem que ninguém o reivindique, ele será sepultado como indigente.

Parentes e amigos disponibilizaram a conta de Maruia Aparecida Amorim Duarte, também parente de Sandra, na Caixa Econômica Federal, agência 2392, Operação 001, Conta 8852-4 para qualquer doação. Autoridades municipais e estaduais deveriam se pronunciar para ajudar no traslado do corpo da professora palmeirense de Portugal para o Brasil.