O velocista alagoano Yohansson do Nascimento Ferreira – que se notabilizou como o atleta mais rápido do mundo nos 200m rasos T46 (categoria para pessoas com amputações) nas Paralimpíadas de Londres em 2012 – pode ser considerado um ícone do esporte mundial. No próximo dia 20, o atleta recebe do Governo do Estado o prêmio Expressão Alagoana, dedicado a personalidades alagoanas, de nascimento ou por adoção, que se destacaram no ano passado.
Yohansson nasceu sem as duas mãos. Criado no conjunto Joaquim Leão, no Vergel do Lago, periferia de Maceió, ele diz que a deficiência física nunca o atrapalhou. “Isso, graças a Deus, nunca foi problema para mim. Posso dizer que nunca sofri discriminação quando era pequeno e adolescente na escola”, garante o paratleta alagoano, hoje cidadão do mundo.
Apesar da fama e da vida agitada de um esportista de alto desempenho, Yohansson não perde de vista suas origens. Dois dias depois de chegar de Glasgow, na Escócia, o filho mais velho de seu Cláudio Nascimento e de dona Francisca Nascimento concedeu falou à Agência Alagoas. “Eu e mais dois paratletas brasileiros fomos participar de um circuito de interação com atletas de todas as partes do mundo”, explica Yohansson.
O atleta contou como ingressou no atletismo. “Foi através da professora Walquíria Campelo, que ouviu falar que eu corria muito, lá na pista de atletismo do Cepa”, relembra.
Desde então, Yohansson trilha uma carreira de sucesso. Em 2005, veio a primeira medalha. “Foi no Recife, de bronze, nos 400 metros”, conta. Hoje o herói alagoano contabiliza 120 medalhas.
As dificuldades enfrentadas, como falta de estrutura adequada para treinar, são coisas do passado. Hoje ele treina em São Caetano do Sul, interior de São Paulo, com direito a tudo que um atleta de alto rendimento precisa, inclusive, grandes patrocinadores.
Nas Paralimpíadas de Londres, em 2012, o velocista fez o tempo de 22s05, batendo o recorde mundial. Resultado: foi ao lugar mais alto do pódio, ao conquistar a medalha de ouro no paratletismo. Antes disso, já tinha faturado uma prata em outra competição, também nas Paralimpíadas de Londres.
Fora essas, que considera o ápice de sua carreira, o atleta já colocou no peito prata na Paralimpíadas de Pequim, em 2008, e seis medalhas no Parapan de 2007, no Rio de Janeiro, com cinco de ouro e uma de prata.
Pedido de casamento
Em Londres, além das medalhas de ouro e prata, Yohansson chamou a atenção do mundo ao comemorar a vitória de forma inusitada e – principalmente – romântica. Ao terminar a prova, diante de centenas de flashes, ele levantou uma folha de papel com a frase: “Thalita, quer casar comigo?”, exibida pelas emissoras de televisão de todo o planeta.
A estudante Thalita Lima, 20 anos, que, como todo o mundo, viu a cena pela TV, aceitou na hora o pedido, e o casamento já tem data marcada: “Dia 27 de abril”, conta Yohansson.
Dedicado ao esporte e focado nas provas que disputa, Yohansson conta como decidiu fazer o pedido inusitado. “Na Vila Olímpica, na véspera da corrida, disse para mim mesmo que se ganhasse o ouro, faria o bilhete com o pedido. Aí bolei, escrevi e escondi por dentro da roupa”, contou o atleta.
Yohansson Ferreira, um herói do atletismo mundial
Medalha de ouro dos 200m nas Paralimpíadas de Londres, atleta tornou-se referência no esporte e diz que a deficiência física nunca o atrapalhou
