RECIFE - Uma delegação formada por técnicos da Fifa e do Comitê Organizador Local (COL) visita nesta sexta-feira as obras da Arena Pernambuco, mas o objetivo principal da inspeção não é a Copa do Mundo, e sim a Copa das Confederações. O estádio pernambucano ainda não teve a participação na competição confirmada pela entidade – a definição está marcada para junho, mas o anúncio pode ser antecipado para o próximo mês – e está visita é fundamental para a decisão.

Há cerca de um mês, a Fifa colocou a Arena Pernambuco na berlinda, dando, inclusive, a entender que seria retirada da Copa das Confederações. Isso motivou uma visita do presidente da CBF e do COL, José Maria Marin, a governador do Estado, Eduardo Campos. Marin saiu da reunião dizendo-se convencido de que tudo estava nos eixos.

Para convencer os técnicos da Fifa e do COL, os pernambucanos vão apresentar novo cronograma de obras, visando à antecipação para fevereiro de 2013, da conclusão da arena, que fica no município metropolitano de São Lourenço da Mata.

Toda a estratégia de aceleração das obras - para que o estádio possa receber jogos da Copa das Confederações - está sendo elaborada pelo governo de Pernambuco e a construtora Norberto Odebrecht e inclui, basicamente, de acordo com o secretário estadual extraordinário da Copa, Ricardo Leitão, reforço de turnos e turmas de funcionários que trabalham nas obras e renegociação com os fornecedores para a antecipação de entrega de equipamentos.

Todos os prazos das obras viárias em torno da Arena também terão de ser adaptados ao novo cronograma, a fim de garantir a mobilidade e acesso ao estádio, além do esquema de segurança.

"Estamos trabalhando firmemente para que Pernambuco receba a Copa das Confederações com a certeza de que isso será demonstrada nas reuniões com a Fifa e COL", afirma Leitão, seguro de que tudo caminha bem. Ele observa que não há pendências ambientais na obra, frisa que a área está toda desapropriada e que não há restrição na liberação de financiamentos, que ocorrem dentro do programado.

Quanto à antecipação da conclusão para fevereiro, ele assegura ser possível, porque, na realidade, a aceleração das obras se limita a dois meses – de abril para fevereiro de 2013. "Embora o contrato inicial de construção do estádio tivesse como previsão de término dezembro de 2013, a antecipação não é de dez meses", observa ele.

O secretário explica: ainda antes da possibilidade de Pernambuco participar da Copa das Confederações, a Odebrecht já havia antecipado para julho de 2013 a inauguração da Arena, para atender a um contrato firmado com o Náutico, que a partir daquela data passará a utilizar o estádio para a realização dos seus jogos.

Quando surgiu a chance de Pernambuco disputar os jogos da Copa das Confederações, que terá início em 15 de junho de 2013, a Fifa impôs o prazo de abril de 2013 para o término das obras. Novo cronograma foi, então, definido. Mais recentemente a entidade antecipou a exigência de conclusão do estádio para fevereiro de 2013.

"Como as duas primeiras antecipações – para julho, por decisão da construtora, e para abril, para atender à Fifa – já estavam completamente absorvidas, o esforço visa a antecipar as obras em dois meses", resume Leitão.

Segundo ele, nenhuma das antecipações gera prejuízo ou redefinição do contrato,  realizado através de uma Parceria Público Privada (PPP) entre o governo de Pernambuco e o consórcio Arena Pernambuco (formado pela Odebrecht Participações e Investimentos e Construtora Norberto Odebrecht). O consórcio é responsável pela execução e também pela operação da Arena Pernambuco.

O investimento total da obra, de R$ 532 milhões, não pode ser alterado, pois o contrato não permite aditamentos. A Odebrecht entra com a construção e o direito de operação, enquanto o governo estadual com o terreno de 252 hectares e a garantia de sustentação financeira do projeto quando começar a operar.

A Odebrecht solicitou um total de R$ 600 milhões em empréstimos: R$ 280 milhões do BNDES – com duas parcelas liberadas no valor de R$ 156 milhões, o que representa 56% do total;  R$ 70 milhões de um banco privado, já liberados;  e R$ 250 milhões do Banco do Nordeste. Este último financiamento foi aprovado, mas ainda não liberado.

A Arena será multiuso e receberá shows, eventos comerciais e sociais, além de disputas esportivas. Será o ponto de partida para a Cidade da Copa, um núcleo urbano planejado com área residencial, educacional, escritórios e entretenimento a ser construído pelo grupo Odebrecht.

Somente em caso de a arena não oferecer um rendimento médio, é que o governo estadual terá de oferecer uma contrapartida financeira. Isto só poderá ser avaliado depois do início da operação. Quanto maior a rentabilidade, menor será a contrapartida financeira do Estado.

Leitão está otimista. Ele exemplifica com a construção da Ponte do Paiva, sobre o Rio Jaboatão, na região metropolitana do Recife, também através de uma PPP com a Odebrecht. O Estado entraria com suplementação financeira caso o pedágio instituído no local não atingisse um rendimento médio estipulado. O resultado é que a operação cobre todos os custos, sem necessidade de participação do Estado.