"O COI confirma que recebeu uma carta de renúncia do membro do COI sr. João Havelange", divulgou o próprio COI (Comitê Olímpico Internacional) em nota oficial nesta segunda-feira (5).
O dirigente brasileiro renunciou à sua vaga de membro do COI dias antes de uma audiência ética sobre sua conduta.
Havelange, que presidiu a Fifa entre 1974 e 1998, estava sob investigação do COI por sua ligação com a ISL, antiga agência de marketing da Fifa que é suspeita de ter pago propina a dirigentes da federação responsável pelo futebol mundial.
Em comunicado à Reuters, a Fifa diz que "tomou conhecimento da renúncia de João Havelange como membro do COI e do fato de o COI ter encerrado o caso correspondente".
"Sobre a Fifa", segue a nota oficial, "é importante ressaltar que João Havelange foi nomeado presidente de honra pelo Congresso da Fifa em 8 de junho de 1998. A Fifa não pode especular sobre qualquer decisão tomada pelo sr. Havelange."
A rede BBC informou que a investigação do COI sobre a conduta de Havelange no caso ISL provavelmente seria abandonada após sua renúncia.
Havelange, que ingressou no COI em 1963 e era o membro há mais tempo na organização, sempre foi bastante respeitado dentro da entidade.
Ele fez parte da vitoriosa campanha do Rio de Janeiro para sediar os Jogos Olímpicos de 2016, tendo feito um emocionado discurso de abertura antes da votação que deu a vitória à cidade brasileira, em 2009.
No Rio de Janieor, Leonardo Gryner, diretor geral do Comitê Organizador da Olimpíada do Rio de Janeiro 2016, disse a jornalistas que "de jeito nenhum [a saída] é uma mancha. Temos muito orgulho de ter tido o João com a gente. É uma lenda e um ícone no movimento esportivo mundial... não muda em nada".
Gryner lembrou que Havelange faz parte do conselho de esportes do comitê Rio 2016 por ser ex-atleta olímpico.
- Ele é um grande homem, fez um grande projeto e trabalhou muito para o esporte mundial. Emprestou seu apoio a nós e foi essencial no processo de candidatura. Ele foi extremamente importante e acho que ele é um daqueles brasileiros que a gente deve se orgulhar.
Mais acusados
O Comitê Executivo do COI vai se reunir nesta semana para discutir as investigações do comitê de ética sobre os três membros da entidade acusados de envolvimento no caso ISL e anunciar eventuais punições, que podem ir desde a suspensão temporária até a exclusão da entidade olímpica.
Além de Havelange, os outros membros são o chefe da federação internacional de atletismo, Lamine Diack, e Issa Hayatou, de Camarões.
A ISL faliu em 2001, com dívidas de 300 milhões de dólares. Um programa da BBC de 2010 acusou Havelange de ter recebido dinheiro da ISL para garantir que a empresa fosse escolhida em lucrativos contratos de publicidade da Copa do Mundo.
O presidente da Confederação Brasileira de Futebol e chefe do comitê organizador da Copa do Mundo de 2014, Ricardo Teixeira, ex-genro de Havelange, também foi acusado de participação no esquema.
COI confirma renúncia de João Havelange
Carta que solicita renúncia do cargo foi antes de audiência sobre conduta ética