SÃO PAULO - Os corintianos não foram os únicos que torceram para que o Campeonato Brasileiro terminasse no último domingo, em Florianópolis. Longe das câmeras e microfones, parte da diretoria do Palmeiras via com simpatia a definição antecipada da competição.
Isso porque dizem acreditar que o clima decisivo do clássico servirá para realçar a diferença de pretensões entre os rivais. Enquanto o Corinthians chega para buscar o título, o Palmeiras aparece com a modesta missão de atrapalhar a festa alheia. Até mesmo a decisão de aumentar a premiação pela vitória no último confronto da temporada, revelada na semana passada pelo presidente Arnaldo Tirone, não teve a repercussão positiva que o dirigente esperava.
"Só serviu para atrair ainda mais holofotes para a falta de objetivos nobres da equipe neste final de Brasileiro", afirmou, ontem, um dos articuladores da campanha que levou Tirone à presidência. "Pô, faltam seis dias para o jogo e não aguento mais receber ligações de gente perguntando se esse vai ser o jogo para salvar a temporada do Palmeiras. Não salva nada."
CONFLITO POLÍTICO
O fim da temporada não tem sido ruim apenas para o time de futebol. Nos bastidores, os conflitos políticos não dão trégua. O ex-presidente Mustafá Contursi, que apoiou a eleição de Tirone, fala para quem quiser ouvir que seu voto, hoje, seria bem diferente. "Ele não tem o meu voto", garantiu Mustafá quando questionado pelo Estado, ontem, no evento do lançamento do anuário do futebol – Mustafá é o presidente do Sindicato do Futebol.
O ex-cartola palmeirense não está nada feliz com o que Tirone tem feito no clube. "Tivemos um péssimo ano e não estou satisfeito, já que não aconteceu nada daquilo que eles prometeram. Os gastos continuam alto", disse. Uma das promessas de Tirone, lembra Mustafá, foi justamente o corte de gastos no clube. A folha salarial, no entanto, continua praticamente igual àquela da gestão de Luiz Gonzaga Belluzzo.
"Nos últimos anos, aliás, a diretoria tem gastado milhões apenas com o objetivo de não cair para a Série B. Talvez esse tenha sido um mal que eu deixei", ironizou Mustafá. "Parece que isso já está bom pra eles." 2012 complicado.
Três fatores têm transformado o Palestra Itália em um local pouco atraente para os atletas e dificultado a montagem do time para a próxima temporada: a exposição do grupo à intimidação de torcedores, atrasos de salário e o reduzido poder de sedução do técnico Luiz Felipe Scolari. O problema é que diretoria sabe que a paciência da torcida está no fim e que a cobrança até pelo Paulista será intensa.
Até no Palmeiras houve torcida pelo título do Corinthians
Palmeirenses insatisfeitos com clima decisivo do clássico por entenderem que expõe diferenças de objetivo