Não era uma partida de futebol, mas a velha rivalidade Brasil x Argentina encerrou a semana da vela nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara. Neste domingo, após o encerramento das regatas em Puerto Vallarta, a disputa era para ver quem fazia a maior festa fora do mar. Lado a lado, provocações e brincadeiras deram o tom das comemorações.

Os argentinos fizeram mais barulho, e comemoraram os dois ouros com batuque nos barcos e músicas parecidas às cantadas nos estádios. Mas os brasileiros tiveram cinco medalhas douradas. Em cada uma delas, uma garrafa de champagne era estourada pelo vencedor, que festejava com competidores de outras classes.

O placar de 5 a 2 foi o mesmo do número de títulos mundiais de futebol entre os dois países. "Argentino é argentino. Viram que a gente fez a festa aqui e tentaram fazer melhor, mas não chegam nem perto da festa brasileira", afirmou Gabriel Borges, ouro na classe Snipe ao lado de Alexandre do Amaral, que adotou tom mais político. "Parabéns também pra Argentina. Foi uma campanha muito boa para os dois países".

Além da conquista na classe Snipe, o Brasil também subiu ao lugar mais alto do pódio na J24 (Maurício Santa Cruz, Alexandre Saldanha, Guilherme Hamelmann e Daniel Santiago) na Sunfish (Matheus Dellagnello), RS-X masculino (Ricardo Winick Santos, o Bimba) e RS-X feminino (Patrícia Freitas). Já os argentinos levaram o ouro nas classes Laser entre os homens e as mulheres.

A comemoração também teve garrafas de cerveja, e promete ter tacos e tequila durante a noite. Empolgados com a conquista, o quarteto da J24 revelou algumas superstições que os acompanham pelos quatro cantos do mundo.

"Eu velejo com a mesma bota desde que ganhei o primeiro Mundial, em 2006, na Austrália. A gente vem competir sempre no mesmo ônibus e tem de parar para tomar café na mesma hora", revelou Daniel Santiago. O atleta, que torce pelo Flamengo, culpou o companheiro de quarto Alexandre Saldanha pelas manias. "Isso é coisa de botafoguense".

Alexandre, que é neto de João Saldanha, tentou se defender, mas entregou o lado supersticioso. "Hoje pela manhã peguei duas meias que estavam sujas e molhadas. Eu tinha que pegá-las porque deram sorte nos outros dias".