A cerimônia que vai marcar o anúncio oficial do calendário da Copa do Mundo de 2014, nesta quinta-feira (20), em Zurique, acabou ofuscada pela "guerra" travada nos bastidores entre o governo federal e a Fifa por desavenças em relação à Lei Geral da Copa.

De acordo com reportagem publicada nesta quarta (19) pelo jornal O Estado de S.Paulo, os organizadores do Mundial ficaram revoltados com declarações da presidente Dilma Rousseff, que disse que não vai alterar a legislação para atender aos interesses da entidade.

Para os diretores da Fifa, o governo enviou, com dois anos de atraso, um projeto diferente do original, que dava mais poderes para a entidade máxima do futebol e para a CBF, além de exigências relacionadas à proteção de marcas que feriam a lei nacional. Dilma, em visita à África do Sul, afirmou que não vai aceitar leis que afetem os benefícios da população.

A publicação diz ainda que os cartolas da Fifa acreditam que as ações do governo afetam a confiança da entidade na administração. Um encontro, no início de outubro, entre o secretário-geral da Fifa, Jerome Valcke, e a presidente Dilma, em Bruxelas, não foi suficiente para resolver o impasse. Valcke, inclusive, teria saído dessa reunião acreditando que Dilma havia entendido que a entidade não iria retirar suas exigências. Por isso, as declarações da presidente na África causaram espanto no dirigente.

A postura do governo, inclusive, seria entendida pela Fifa como uma forma de buscar popularidade interna. A ameaça de não ceder aos interesses da entidade é vista como "jogar para o público".

O Estado de S.Paulo informou, ainda, que a Fifa confirmou a possibilidade legal de tirar a Copa do Mundo do Brasil até 2012, sem pagar indenização ao país. No entanto, essa hipótese dificilmente seria usada, já que representaria um risco para a imagem da entidade.

Nem mesmo a decisão da presidente de assumir o comando da Copa, após denúncias contra o Ministro do Esporte, Orlando Silva, foi vista como um fator para resolver as crises entre as partes. Para a Fifa, Dilma no comando representa apenas uma "nova etapa de relacionamento", de acordo com a reportagem.

No primeiro encontro realizado em Zurique, nesta terça (18), Valcke voltou a atacar o Brasil e usar a Russia, sede do Mundial de 2018, como um exemplo de preparação. O país já estaria aprovando uma legislação especial para a Copa a sete anos da realização do evento. Até mesmo o principal responsável pela Copa de 2010, Danny Jordaan, disparou críticas contra a preparação brasileira.

Jordaan apontou o Planalto como responsável pelo caos da Copa de 2014 e ainda disse que o Brasil não mereceu sediar o evento, referindo-se à ausência de concorrentes no processo de candidaturas. Ele afirmou que a África do Sul assinou compromissos com a Fifa antes mesmo de ser escolhida para receber o Mundial e aprovou as leis pouco tempo depois do anúncio oficial.