Conhecido como Harry Potter, o treinador botafoguense Caio Júnior teve participação importante no triunfo sobre o Corinthians, quarta-feira, no Pacaembu. Com inversões táticas na formação do time, cuidados com a marcação e substituições com um jogador a menos, ele fez suas "magias" para contribuir em vitória fundamental para o Botafogo se credenciar novamente à liderança.

Com um jogo por fazer em relação aos demais (Santos, na Vila Belmiro), o time de Caio Júnior é o que menos perdeu pontos no Campeonato Brasileiro, condição que retomou ao vencer o Corinthians no Pacaembu de forma convincente, com bom futebol na etapa inicial e força defensiva no segundo tempo. Abaixo, confira as cinco participações importantes do treinador:

1 - A inversão tática com Elkeson

Caio Júnior surpreendeu ao abdicar de Herrera e optar por Felipe Menezes no time titular contra o Corinthians, o que fez com Elkeson atuasse na ponta direita e Maicosuel pela esquerda. Os dois jogadores abertos tiveram participação fundamental na marcação aos laterais corintianos e deram sufoco nos contragolpes. Foi assim que o Botafogo fez seus dois gols no Pacaembu.

"A estratégia tática foi perfeita com a entrada do Felipe. O que mais me alegrou é que projetamos uma coisa que deu certo na prática e isso é difícil", resumiu Caio Júnior. Elkeson e Maicosuel, juntos, ainda contribuíram com três desarmes.

2 - A sobrevivência em campo com 10 jogadores

Com a expulsão de Cortês aos 14min da etapa final, o Botafogo se viu com um jogador a menos e teve competência para marcar um Corinthians que se mandou à frente e tinha o apoio irrestrito da torcida. Gustavo foi atuar na lateral esquerda e aumentou a estatura da zaga, protegida por mais quatro jogadores em linha pelo meio. No fim, até Loco Abreu se propôs a ajudar nas bolas aéreas.

"Foi uma equipe aguerrida que se fechou dentro da área ganhando de 2 a 0. O Corinthians ficou muito na bola alçada", afirmou Caio. Ao todo, foram 49 cruzamentos na área do Botafogo ao longo de 90 minutos.

3 - Marcar, marcar e marcar

Único candidato ao título que não está entre os 10 times que mais desarmam no Brasileiro, o Botafogo se conscientizou de que, contra o Corinthians, precisaria marcar mais. E foi o que aconteceu. Em 90 minutos, foram 28 bolas roubadas, número que a equipe de Caio Júnior só superou em quatro jogos da Série A.

"A aplicação tática foi determinante e é a marca dessa equipe. Por um motivo ou outro ,perdemos essa marca em alguns jogos, como contra o Atlético-GO. Tem de ter raça e fibra, é o que o torcedor quer. A raça e a fibra é que marcam a história do Botafogo", lembrou o treinador.

4 - A muralha atrás da defesa

Se Jefferson foi o herói da Seleção Brasileira ao defender pênalti contra o México na terça-feira, Renan não ficou atrás e foi um dos protagonistas na vitória botafoguense. Foram seis defesas ao longo de 90 minutos, sendo cinco delas após o intervalo. Até a trave protegeu o arqueiro, que honra a tradição de goleiros negros no Botafogo. Caio Júnior, nos últimos dias, teve conversas particular com todos os jogadores ao melhor estilo psicólogo.

"Esse jogo do Renan reflete muito o que a gente faz aqui dentro, de trabalhar muito com a psicologia e confiança. Quando se definiu a situação do Jefferson (que não chegou do México a tempo de ir ao Pacaembu), chamamos, comunicamos e demos confiança. Hoje ele vira uma página de incertezas".

5 - Explorar a bola alta na zaga do Corinthians

Especialista na bola aérea, Loco Abreu sabia que esse não é um ponte forte da defesa corintiana. Ele, que já havia marcado de cabeça contra o Corinthians no mesmo Pacaembu pelo Brasileiro 2010, repetiu a dose. Com Elkeson e Maicosuel abertos, Caio Júnior favoreceu a jogo alto do uruguaio. "Aproveitei minha boa condição no jogo aéreo", observou o capitão botafoguense.