O Sindicato dos Atletas Profissionais do Estado de São Paulo (SAPESP) anunciou que vai interpelar judicialmente o dançarino de funk Ademilson Silva, conhecido como "Homem Picanha", para que ele comprove a veracidade da afirmação de que teria um caso com um jogador titular do Corinthians. A declaração, veiculada na última segunda-feira (3), no programa CQC, da TV Bandeirantes, provocou desconforto no elenco do time paulistano, conforme deixa claro nota divulgada pelo sindicato sobre o caso.
Segundo o texto, a entidade foi acionada por jogadores para que "tomasse providências acerca da defesa da imagem e da honra coletiva dos atletas".
- Em vista de tais fatos, alguns atletas do S.C. Corinthians Paulista que são heterossexuais, casados e com filhos, tiveram uma repercussão em suas famílias e pelos próprios órgãos de imprensa. Sendo incitados a disporem acerca de suas opções sexuais - diz a nota, assinada por Luis Eduardo Pinella, presidente em exercício do SAPESP, que apontou, entre as justificativas da ação, proibir que o "assunto homossexualidade seja tratado com deboche, incitando o preconceito aos homossexuais".
Em entrevista a Terra Magazine, o advogado do SAPESP, Washington Rodrigues, detalhou como foi a abordagem:
- Fomos procurados por alguns atletas do Corinthians que se sentiram incomodados. Acabaram pairando dúvidas sobre todos os atletas do elenco. Há pessoas casadas, com filhos. Na escola, as crianças acabam brincando. Sabendo que o pai do menino é jogador, fica uma situação extremamente desagradável. Acho que a opção sexual é um direito de cada um. Cabe à pessoa saber se quer alardear ou não - relatou, sem revelar nomes.
Rodrigues negou que há na nota um tom preconceituoso - no trecho em que fala sobre "defesa da imagem e honra coletiva dos atletas" - e ressalta que um "direito individual não pode afrontar um direito coletivo". O advogado explicou o que o sindicato pretende com a interpelação judicial do "homem picanha":
- Que diga se tem um relacionamento com a pessoa X ou Y. Um direito de um não pode afetar o direito de uma coletividade. Não é confrontar, dizer que a pessoa se sente prejudicada por ser chamada de homossexual. Não é isso. Acho que a questão da opção sexual de cada pessoa não reflete diretamente na questão de honra, imagem. Só quando se utiliza isso com sarcasmo, como foi utilizado.
O discurso, entretanto, soa contraditório quando o representante do sindicato interpreta a afirmação feita pelo dançarino de Funk como uma "ofensa coletiva".
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