Sebastian Vettel tem uma folga tão grande no Mundial de Pilotos que, a oito corridas do fim da temporada, pode se dar ao luxo de ser bicampeão sem precisar vencer mais nenhuma das oito corridas restantes.

Basta a ele ser o terceiro em sete delas e o quarto na outra que não poderá mais ser alcançado por seu companheiro de Red Bull, Mark Webber, atual vice-líder, mesmo que ele vença as oito corridas restantes - nesse caso, Vettel levaria o título com dois pontos de vantagem, 351 a 349.

O cenário, no entanto, é improvável, até mesmo pela realidade da temporada, marcada pela alternância de vitórias quando o atual campeão não está no topo: ele ganhou seis das 11 provas já disputadas, Fernando Alonso venceu uma pela Ferrari e os pilotos da McLaren, Lewis Hamilton e Jenson Button, ganharam duas vezes cada um. Webber tem como melhores resultados um segundo lugar e cinco terceiros.

Se essa alternância se mantiver, Vettel só precisará manter um desempenho medíocre nas próximas corridas para ser campeão. Um desempenho, é triste para o torcedor brasileiro ouvir isso, igual ao de Felipe Massa, que até agora não conseguiu ir além do quinto lugar em nenhuma corrida.

O R7 fez o seguinte cálculo hipotético: nas oito provas restantes, Webber, Hamilton, Alonso e Button se alternam entre o primeiro e o quarto lugares, cada um chegando duas vezes em cada posição. Com isso, cada um somaria 140 pontos até o fim da temporada. Webber, o vice-líder, saltaria dos atuais 149 para 289 pontos. Hamilton iria a 286, Alonso a 285 e Button, a 274.

Vettel, com 234 pontos, só precisaria então de mais 56 pontos para ser campeão - o que poderia conseguir chegando quatro vezes em sexto lugar e outras quatro em sétimo. Uma média de 7 pontos por corrida, pouca coisa superior à de Massa até agora - o brasileiro fez 70 pontos em 11 provas, média de 6,36 por corrida.

A pequena chance de Massa

Isso quer dizer, então, que Massa ainda tem chance de ser campeão? Bom, a matemática até permite, embora a realidade insista em dizer o contrário. Na improvável hipótese de ganhar as oito provas restantes, Felipe iria a 270 pontos. Vettel poderia, então, fazer no máximo 36, ou seja, bastaria a ele ficar duas vezes em segundo lugar e uma vez em décimo, para superar o brasileiro.

O problema é que a disputa de Massa não é apenas com Vettel. Ele teria de torcer para que, como no cenário acima, os quatro outros pilotos das equipes grandes se alternem entre a segunda e a quinta posições. A Webber, por exemplo, bastam dois segundos lugares e seis terceiros para superar o piloto da Ferrari, ainda que ele vença as oito provas restantes.

A Fórmula 1 está agora em recesso pelo verão europeu, com as equipes proibidas de trabalhar. A matemática volta a ser escrita no dia 28, com o GP da Bélgica, prova que no ano passado teve vitória de Lewis Hamilton, com Vettel apenas em 15º lugar. Se o resultado ruim se repetir, talvez os rivais possam sonhar um pouco mais.