Contestado por adversários após o ouro nos 50 m borboleta, o brasileiro Cesar Cielo poderá disputar a final dos 50 m livre, neste sábado (30), com todos os argumentos para combater qualquer atleta que não tenha gostado de sua “absolvição” no caso de doping. A CAS (Corte Arbitral do Esporte) explicou nesta sexta-feira (29) por que liberou o nadador para competir no Mundial de Xangai e disse ter se convencido de que o diurético furosemida entrou nas cápsulas de cafeína usadas pelo brasileiro devido a uma contaminação na farmácia Anna Terra, em Santa Bárbara D’Oeste.
Cielo testou positivo para a substância no Troféu Maria Lenk, ao lado de Nicholas Santos, Henrique Barbosa e Vinícius Waked. Dos quatro, apenas o último foi suspenso por um ano, por ser reincidente. Os outros ganharam apenas uma advertência.
A divulgação do relatório da CAS serve para aliviar a pressão sobre Cielo, que viu um nadador colocar os polegares para baixo após a sua vitória nos 50 m borboleta, além de vários outros reclamando no Twitter. O campeão olímpico, por outro lado, recebeu diversas manifestações de apoio de outros adversários.
De acordo com a CAS, vários pontos provaram a boa fé de Cielo e dos demais: 1) As pílulas de cafeína eram prescritas pelo médico de César Cielo desde o final de 2009; 2) As pílulas de cafeína foram produzidas pela mesma farmácia desde aquela época; 3) A cafeína usada no preparo das pílulas era pura e não fora misturada com outras substâncias; 4) A substância furosemida foi detectada nas pílulas de cafeína restantes encontradas no frasco de pílulas dos atletas, por um laboratório do Rio de Janeiro (LABDOP) credenciado pela Wada (Agência Mundial Anti-Doping); 5) A farmácia que preparou as pílulas de cafeína admitiu que no mesmo dia, ela também preparou para outros clientes, diversas receitas médicas para o tratamento de doenças cardíacas e que continham furosemida; e 6) A concentração de urina dos atletas era normal e não estava diluída, o que significa que a furosemida não pode ter sido utilizada como um agente mascarante neste caso.
Assim, fica caracterizado que a CAS aceitou todos os argumentos de Cielo sobre o doping. Nenhuma das alegações do brasileiro foi contestada pelo tribunal. A Fina achou que, mesmo diante desse quadro, os atletas deveriam pegar três meses de suspensão, mas os auditores da CAS consideraram que não houve culpa ou negligência.
- O Painel da CAS reconheceu que o uso de suplementos alimentares pelos atletas foi arriscado, mas no presente caso os atletas tomaram precauções suficientes para reduzir sua culpa ou negligência ao mínimo possível. Neste sentido, o Painel de árbitros da CAS decidiu aplicar as sanções mínimas previstas nas Regras de Controle de Doping da Fina.
CAS explica decisão sobre Cesar Cielo
Tribunal ressalta que ação de nadadores foi arriscada, mas que não valia uma suspensão
