Não é uma tarefa fácil adaptar um jogo tão plural e transmídia como Warcraft para o cinema. Duncan Jones, também conhecido como o filho de David Bowie, decidiu que este seria o seu cartão de visitas no cinemão de Hollywood. Um desafio à altura das expectativas que suscitou com os ótimos “Lunar” e “Contra o Tempo”.

Visualmente exuberante, “Warcraft – O Primeiro Encontro de Dois Mundos” é um filme que pretende falar prioritariamente ao fã. O que pode superficialmente parecer um equívoco, se mostra uma aposta, embora arriscada, acertada por parte de Jones e dos estúdios por trás do filme.

Adaptações de games de sucesso podem até fazer boa bilheteria, como atestam os dois "Tomb Raider" e "Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo", mas falham em conquistar efetivamente o fã, que é o principal combustível de um filme que migra de outra mídia para se tornar franquia. No caso de Warcraft, a plataforma é bem espessa o que ajuda a entender o investimento no fã. O que não quer dizer que Jones aliene o resto do público. O subtítulo nacional é bem prático quanto ao que vemos na tela.

Comandados por Gul ́dan, orcs invadem Azeroth, mundo pacificado pelo rei Wrynn (Dominic Cooper) e coabitado por humanos, elfos e anões, para dominá­lo à base da mais efervescente violência. O controle da vilenia, uma magia que se alimenta da vida e corrompe tudo que toca, dá a Gul ́dan certo sentimento de onipotência e assusta Durotan (Toby Kebbell), orc líder do clã dos Lobos de Gelo que resolve forjar uma aliança com os humanos para deter Gul ́ dan e sua recém­ estabelecida horda.

Sob muitos aspectos, “Warcraft – O Primeiro Encontro de Dois Mundos” é apenas uma introdução para um universo cheio de potencialidades. Não há muito aprofundamento dramático ou mesmo nas reminiscências de Azeroth e seus habitantes. A resolução do filme aponta para conflitos dramáticos muito mais interessantes nas sequências que a bilheteria deve definir se vão existir ou não.

O trabalho da Industrial Light & Magic com os efeitos especiais merece uma menção à parte. Merece, também, se possível, ser contemplado em uma tela IMAX. Do detalhamento dos orcs de diferentes clãs, às realistas e potentes cenas de batalha, “Warcraft – O Primeiro Encontro de Dois Mundos” parece o filme certo na hora certa em matéria de esmero visual.

Jones, no entanto, sabia que um filme visualmente lindo, mas sem bons personagens estaria fadado ao limbo. Ironicamente não são os humanos os personagens mais interessantes de “Warcraft”. Apesar de Travis Fimmel, da série “Vikings”, aferir dignidade e carisma a seu Anduin Lothar, são os dilemas do clã dos Lobos de Gelo que cativam. Especialmente os orcs Durotan e Garona (Paula Patton), que se apaixona por Lothar, impulsionam o interesse do público para além da ação.