A Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República antecipou, em coletiva de imprensa em Brasília, na tarde desta segunda-feira, algumas diretrizes que devem nortear ações governamentais no campo do trabalho. Economistas e políticos se reuniram nesta segunda-feira no primeiro seminário sobre Políticas Públicas para uma Nova Classe Média, organizado pela SAE.
 
De acordo com o subsecretário do órgão, Ricardo Paes de Barros, o governo estuda a criação de uma segunda geração de políticas sociais, diferentes do Bolsa Família. Barros indicou duas iniciativas que podem ser tomadas no campo do trabalho. Uma delas é a criação de um imposto negativo para trabalhadores formais de baixa renda e a outra é a criação de um programa de qualificação profissional de trabalhadores que já estão no mercado de trabalho, para diminuir a rotatividade.
 
Renato Meirelles, do Instituto Data Popular, afirmou que a educação, a ampliação do acesso à internet e a manutenção do pleno emprego são os três elementos precisam ser considerados na elaboração de políticas públicas para a classe média. “Não tem melhor distribuidor de renda do que o emprego formal”, disse.
 
Poupança – Durante o primeiro painel do seminário, na manhã desta segunda, o professor do Insper, Eduardo Giannetti, chamou a atenção para a necessidade de aumentar a poupança interna do país e afirmou que é preciso investir em uma mudança de valores. “A nossa poupança é muito pequena para o tipo de país que queremos ter. Temos muita dificuldade em poupar porque temos uma cultura imediatista. Com a classe média não vai ser diferente. A classe média quer carro, mas tem rua? Tem transporte coletivo de qualidade? Temos que rever esses valores”, questiona o economista.
 
O Secretário da SAE, Wellington Moreira Franco, enfatizou que qualquer política daqui em diante deve levar em conta a ótica da produtividade, e não apenas do consumo. “Por que não pensar em aumentar a produtividade para resolver o problema da inflação? Esse modelo de pensar o consumo já se esgotou”, afirmou.
 
O diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, Luiz Awazu, chamou a atenção para algumas questões que precisam ser consideradas na elaboração de políticas públicas voltadas para a classe média. Na opinião de Awazu, para desenvolver padrões de poupança interna, é preciso oferecer mais produtos financeiros que estimulem poupança de longo prazo e pensar em elementos de moderação do crescimento excessivo do crédito.