A Pesquisa Mensal do Comércio divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com dados relativos ao desempenho do setor varejista para o mês de maio, aponta que o comércio alagoano continua crescendo, mas num ritmo bem inferior ao verificado nos meses anteriores. Em relação ao mesmo mês de maio de 2010, as vendas se expandiram 3,1%, bem abaixo do ritmo de crescimento verificado para o Brasil e para a média nordestina (verificar gráfico).

Em relação ao desempenho das vendas no acumulado do ano de 2011 (janeiro a maio), ocorreu o mesmo movimento, com a taxa de crescimento para Alagoas alcançando 3,7%, enquanto o comércio no Brasil e na média dos estados nordestinos o crescimento observado foi de 7,4% e 8,6%, respectivamente.

Em relação ao crescimento acumulado em 12 meses, até maio de 2011, o resultado é significativo no caso de Alagoas, ou seja, taxa de crescimento de 7,7%, mas ainda inferior ao desempenho do Brasil e Nordeste, com taxas de 9,2% e 10,5%.

Em termos comparativos em relação ao desempenho do comércio com outras unidades da federação, do ponto de vista da comparação com o mesmo mês de maio de 2011, o resultado geral mostra Tocantins liderando a taxa de crescimento com 26% de incremento, seguido do Acre (19%), Paraíba, (15,3%) e Maranhão (10%). Todos acima de 10% de crescimento nas vendas do comércio varejista e muito acima da média brasileira de 6,2%.

O desempenho do comércio varejista alagoano ficou abaixo da média, com 3,1% de incremento, ocupando, a 22ª colocação entre os estados da federação, conforme o gráfico abaixo atesta.

Na análise da consultoria econômica da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Alagoas o dado reflete que o comércio alagoano está enfrentando o atual momento de recrudescimento e encarecimento do crédito ao consumidor, causado pelas medidas tomadas recentemente pelo Banco Central do Brasil no primeiro semestre para controlar a inflação e diminuir o ritmo do consumo.

As elevações sucessivas da taxa de juros básica da economia, a SELIC (Sistema Especial de Liquidação e de Custódia), fez recuar a disponibilidade de crédito mais em conta e encareceu as dívidas tomadas com base em juros flutuantes.

As famílias com maior nível de endividamento desviaram parcela da renda para pagamento dos encargos financeiros mais elevados, ou retiraram recursos de aplicações e, sobretudo poupança para manter o nível de gastos necessários. Dessa forma, fugir da inadimplência. Esses fatores certamente contribuíram para esses resultados em alguns estados mais que outros. A queda do crescimento do comércio varejista no Brasil em comparação aos meses anteriores confirma essas causas gerais.

Para o consultor econômico da Fecomércio-AL, professor Fábio Guedes, os resultados provam mais uma vez que a economia alagoana e, principalmente o comércio varejista, depende dos acontecimentos em termos de decisão econômica no plano nacional. A demanda das famílias pelo consumo no estado é reflexa às mudanças que ocorrem nos centros de decisão em Brasília, especialmente, em termos de política monetária e fiscal.