O dólar subiu em relação ao real e se afastou das mínimas em 12 anos nesta sexta-feira (8). A valorização global da moeda norte-americana comandou os negócios no Brasil, em um dia de intervenção também mais firme do Banco Central. A cotação subiu 0,51% no mercado à vista, a R$ 1,565 para venda. A taxa Ptax, usada como referência em contratos futuros e outros derivativos, fechou a R$ 1,5634 para venda, em alta de 0,34%.
A alta foi sustentada pela decepção com o relatório de emprego dos Estados Unidos, que mostrou criação de apenas 18 mil postos de trabalho no país em junho, 20% do que era esperado. O mercado teme que a principal economia do mundo perca sustentação justamente no momento em que o Federal Reserve interrompe seu programa de estímulo.
No Brasil, a alta foi acelerada pela intervenção do Banco Central, que pela primeira vez desde março fez um leilão de swap cambial reverso sem o objetivo de rolar contratos em vencimento.O swap cambial reverso é um derivativo com efeito equivalente a uma compra de dólar futuro pelo BC, um instrumento que a instituição pode usar para influenciar a cotação da moeda. Além da operação, o BC fez dois leilões no mercado à vista.
Aposta Recorde de estrangeiros no futuro
A atuação busca aliviar parte da oferta de dólares no mercado futuro, em que os investidores estrangeiros acumulam posições vendidas de mais de R$ 37,6 bilhões (US$ 24 bilhões). Essas posições servem como uma aposta a favor da queda do dólar e têm sido responsáveis, em parte, pela queda da moeda norte-americana aos menores níveis desde 1999.
O leilão, porém, repetiu o resultado das últimas operações e não teve colocação integral dos swaps. De acordo com operadores, o consenso de mercado era por taxas de juros próximas a 3,2 por cento, mas o BC somente aceitou pagar cerca de 2,8 por cento.
O rumo do dólar na próxima semana depende da reunião sobre o limite da dívida dos Estados Unidos, que acontece no domingo com o presidente Barack Obama e as principais lideranças do Congresso. O prazo para que o limite seja elevado e o país não entre em moratória é 2 de agosto. O economista da BGC Liquidez, Alfredo Barbutti, comentou a influência americana no mercado brasileiro.
- Se entrarem num acordo, o mercado pode ser diferente na segunda-feira, pode voltar ao modo de melhora de ontem. Daí, o que acontece com o dólar? O Banco Central pode ter uma resistência maior [para tentar frear a valorização do real]. Porque hoje ele não teve resistência, o mercado estava do lado dele.