O Engenho Massangana, aparelho cultural da Fundação Joaquim Nabuco, apresenta “A Coisa Ficou Preta”, primeira exposição individual do artista visual alagoano Gleyson Borges (@acoisaficoupreta), conhecido por uma produção intensa, experimental e profundamente marcada pela negritude como força política e poética. A mostra, inaugurada no último dia 13, ocupa o espaço histórico do Engenho Massangana, em Cabo de Santo Agostinho - PE, até 29 de março de 2026.
Reunindo trabalhos de diferentes momentos da trajetória do artista, a exposição propõe um percurso onde o gesto artístico se afirma como ferramenta de comunicação direta e urgente. Em cada obra, Gleyson transforma o que pulsa por dentro em imagem, palavra, som, cor e textura, criando um arquivo afetivo e político que investiga como o corpo negro transforma o mundo e, ao mesmo tempo, é moldado por ele.
Sem se limitar a uma linguagem visual única, o artista explora diversos meios e mídias. “A exposição é uma mistura interessante do meu trabalho, trazendo obras em lambe-lambe, que é uma mídia onde construí a base do meu fazer artístico, e também experimentando outros canais onde sinto que a mensagem que quero passar pode funcionar com mais potência”, afirma o artista. Seu trabalho extrapola o campo da representação e opera como impacto, um grito no ouvido, um dedo na ferida, uma provocação que força o público a não só compreender, mas também sentir.
“A Coisa Ficou Preta” apresenta esse conjunto de obras como um corpo em movimento, revelando um processo de criação que evolui, amadurece e se transforma, mantendo a negritude como eixo que orienta e atravessa toda a narrativa. A exposição convida o público a expandir as possibilidades de olhar para o passado, viver o presente e imaginar o futuro a partir de uma perspectiva negra e viva.
“Conquistar espaços com arte e presença negra é uma jornada constante. Realizar a minha primeira individual é uma conquista enorme, e fazer isso em um engenho, dentro de uma casa grande, é ocupar um espaço que historicamente é muito pesado. É sentir esse peso, assumir essa responsabilidade e honrar e pedir licença para todas as pessoas negras que passaram por aquele chão antes de mim”, completa Gleyson.
Sobre o processo criativo do artista, o curador Jhonyson Nobre destaca: “O trabalho de Gleyson opera pela reorganização de imagens existentes. Ele coleta fotografias, arquivos e fragmentos visuais que circulam no cotidiano para produzir afirmações que antes não eram vistas.”
Com passagens por cidades como Maceió, Salvador, São Paulo, Belo Horizonte, Goiânia e Rio de Janeiro, além de exposições em Portugal e no Egito, Gleyson Borges construiu uma trajetória que transita entre rua, museus e galerias, sempre criando conexões potentes entre forma, território e experiência negra contemporânea. Em “A Coisa Ficou Preta”, essa trajetória encontra no Engenho Massangana um espaço de potência, memória e presença.
Serviço
Exposição: A coisa ficou preta
Local: Engenho Massangana (@engenho.massangana)
Endereço: Rodovia PE-60, Km 10, s/n, Cabo de Santo Agostinho-PE
Visitação: De 13 de dezembro de 2025 a 29 de março de 2026
Funcionamento: Terça a domingo, das 9h às 15h
Entrada gratuita
