"Olorum, Olorum, é o Deus supremo iorubá, da nação Axé ele é orixá, com o sopro da vida nos faz cantar". Essa é uma das canções que são entoadas na maioria das celebrações de religiões de matriz africana, como um louvor a um Deus poderoso e onipresente. Essa mesma canção ecoará no teatro Arte Pajuçara, nesta terça-feira (27), às 20h, na estreia do espetáculo teatral Cabaça da Criação.

Com entrada gratuita, o público estará prestigiando cenas teatrais e performances sublimes sobre a história da criação do mundo e do homem, por meio da visão Iorubá. O objetivo da peça é levar a reflexão sobre as variadas possibilidades de contar a história do início do universo através da oralidade. Os ingressos serão distribuídos 1h antes da apresentação.

O espetáculo retrata uma personagem feminina representando Exú, o guardião da comunicação, que entoa rezas cantadas e toca atabaque na evocação do sagrado (orixás). Ao mesmo tempo em que uma Yalorixá (sacerdotisa ou mãe de santo) conta histórias e mitos para uma de suas filhas de santo, que é extremamente curiosa. A mãe, um grande símbolo griô ou griote (feminino de griô) ensina sua filha através da oralidade, utilizando das histórias, músicas e louvor recitado. Enquanto as histórias são contadas, se personificam ao fundo seres místicos gigantescos que representam os próprios orixás da história.

Segundo Rilton Costa, artista alagoano, dramaturgo e diretor da peça, a ideia do espetáculo surgiu durante o percurso de criação da peça "As Marias, As Rosas e Os Espinhos", dirigida por Wagner Santos, em 2019, que fala sobre as pombasgiras e a relação com o empoderamento feminino. Rilton contruiu o texto e ao mesmo tempo vinha pensando em como desenvolver uma história trazendo como protagonistas os orixás. 

"Aí veio a ideia de contar como se sucedeu esse início do mundo pela visão Iorubá, pela visão do orixá. Isso surgiu de uma inquietação minha. Queria fazer com o que o público conhecesse a versão Iorubá da construção da vida, além do que ele já conhece na visão cristã cotidianamente", contou Rilton.

O processo criativo do espetáculo se deu por meio das vivências dele e do elenco, que são integrantes das religiões de matriz africana, e de elementos do teatro antigo, como a utilização de máscaras, a oralidade, a comunicação do corpo, entre outros. 

"No início o teatro era ritualístico, tinha jogo de corpo, uma dança, existiam pessoas que tocavam para fazer rituais, para entregar suas oferendas aos deuses, e hoje a gente traz um resgate disso. No espetáculo, a gente canta, dança, traz as danças dos orixás, da casa de Axé, mas também traz a dança afro, que já é mais contemporâneo, como também a perna de pau, que vem da arte circense, contações de histórias, poesia", revelou o diretor.

Para Rilton, a humanidade não tem certeza de nada e por isso deve ter o máximo de entendimento, o máximo de reflexões sobre a vida e sua criação. "A gente está lidando com fé, a gente está lidando com crença e lidando com teorias. O máximo de reflexões que a gente possa ter da vida, do início do mundo, de Deus, de fé, a gente precisa absorver do mundo enquanto estamos vivos", concluiu.

O espetáculo é uma realização da Auá Produções, que, com seus trabalhos, busca visibilizar temas relevantes para a sociedade, trazendo mais uma vez as religiões de matriz africana para debate e desmistificação. A empresa foi criada e é dirigida pelo produtor cultural Alex Zampielly. A Auá vem se consolidando no ramo da cultura, com foco em produções, consultoria e projetos em Alagoas, Sergipe e Bahia. A peça tem o incentivo da Secretaria de Estado da Cultura de Alagoas (Secult), por meio da Lei Aldir Blanc, auxílio distribuído para o setor cultural através de editais regulamentados pelo Governo Federal.

SERVIÇO

Apresentação da peça "Cabaça da Criação"

Data: 27 de dezembro (terça-feira)

Horário: 20h

Local: Centro Cultural Arte Pajuçara

Ingressos: gratuitos e disponibilizados 1h antes da apresentação

VAGAS LIMITADAS