Espontaneidade é a marca registrada de Tiago Leifert. O jornalista dispensa teleprompter e abusa do improviso quando está ao vivo. Foi com esse jeito descontraído que abriu seu leque de atuação dentro da Globo. Depois de reformular o Globo Esporte de São Paulo – programa em que assumiu os cargos de editor-chefe e apresentador em 2009 – foi convidado para comandar o The Voice Brasil, apesar de, até aquele momento, sua trajetória ter sido voltada para a cobertura esportiva.

Por isso mesmo, não é de se espantar que Tiago tenha sido escalado para trabalhar na transmissão de Carnaval da Globo este ano. "Fiquei surpreso e muito feliz. Sempre foi um dos meus sonhos profissionais trabalhar na transmissão do Carnaval, que acompanho desde criança", jura Tiago, que foi escalado para cobrir a festa após uma negociação entre a direção de Jornalismo e Esporte e o núcleo de Carnaval.

À frente de tantos projetos na televisão, é inevitável que Tiago se torne cada vez mais conhecido do público. Mas é com parcimônia que o apresentador lida com a fama. Afinal, ele sabe que, de uma hora para a outra, ela pode acabar na mesma velocidade em que surgiu. "Por isso, não me deixo viciar, isso nunca. Não me deixo enganar por ela. Sei que não sou bonito, sei que não sou tão engraçado. A fama aumenta tudo e você precisa tomar cuidado", pondera, bem-humorado.

Como foi sua preparação para encarar a maratona de Carnaval trabalhando na transmissão da Globo?
Como eu não serei narrador, minha preparação é diferente. Meu trabalho vai focar no factual, entrevistar pessoas que acabaram de desfilar. Preciso mesmo é ficar de olho nos destaques ali na hora. Para ter repertório na hora de escolher quem entrevistar, estou lendo muito sobre as pessoas que vão desfilar. Elas vão ser o principal alvo. Meu maior desafio, sem dúvida, vai ser o fuso horário.

Como assim?
Eu acordo às cinco da manhã para fazer o Globo Esporte e entro às seis e meia. Vou inverter completamente meu hábito de sábado para domingo. A transmissão é longa. Estou tentando cuidar da minha saúde, me fortalecer para aguentar bem a virada.

Você já está acostumado com o ao vivo, experiência que se concretiza no Globo Esporte de São Paulo e no The Voice Brasil. Mas, ao iniciar um projeto novo, como a transmissão do Carnaval, tenta se precaver de alguma forma para lidar com imprevistos?
Eu tento ter na minha cabeça uma série de situações que podem acontecer e uma saída para cada uma delas. Seja uma emergência jornalística, algo muito engraçado, um problema técnico... Tento simular na minha cabeça esses cenários para saber o que fazer na hora.

E quando, mesmo assim, algo sai fora do planejado, qual é a sua reação? Costuma ser autocrítico?
Na hora do vivo, o importante é não pensar nos outros, na opinião dos outros ou na minha. Autocrítica é uma ferramenta essencial para quem trabalha em tevê, quem não tem autocrítica acaba rápido. Pé no chão, humildade, noção do seu papel... essas coisas precisam existir. E saber dosar também. Se você não consegue se perdoar, fica louco. É sofrer quando tem de sofrer e bola para frente.

Você vem traçando uma curva ascendente na Globo e conseguiu construir um espaço para além do jornalismo esportivo, que é sua especialidade. Como avalia sua trajetória até então?
Realmente não tenho do que reclamar, está tudo sendo muito melhor do que eu sempre quis. Amo música, amo futebol, amo Carnaval. Preciso estar cada vez mais focado, mais preparado para que essas oportunidades continuem aparecendo. Eu trato cada uma dessas oportunidades como se fosse a primeira e a última. Com o frio na barriga da primeira e o medo de que seja a última. Com essa combinação, consigo me concentrar para fazer meu melhor.