Quem é noveleiro de plantão percebeu uma mudança nas suas queridas tramas. Antes, o casal protagonista dominava os capítulos e, ao redor, estavam os personagens secundários.

Hoje, algumas novelas possuem um grupo de protagonistas e não um casal como era de costume. É o caso de Rebelde (Record) e de Vidas em Jogo (Record), que possuem um grupo grande no elenco principal.

Em Rebelde (Record), os telespectadores acompanham a história de seis adolescentes, que gostam de música, estudam em um colégio interno e querem sucesso na carreira.

Já em Vidas em Jogo (Record), os protagonistas milionários são dez. Na trama de Cristianne Fridman, a novela ganhou consistência e cada personagem, um destaque maior. Afinal, são várias histórias entrelaçadas.

Para Lucinha Lins, intérprete de Zizi em Vidas em Jogo (Record), essa mudança na teledramaturgia é visível. Em conversa com o R7, a atriz confirmou que existe uma “família maior”.

- É bom ter um número maior de atores protagonizando a novela. Todo mundo ganha com isso, o público fica com um interesse maior. E, como profissional, digo que é muito bom também. Afinal, isso dá chances para todos.

Outro ponto levantado por Lucinha é que, em produções com diversos protagonistas, o peso do trabalho não fica somente com dois ou três atores.

- A carga do volume e o trabalho não são responsabilidade de poucos. Em novelas como Vidas em Jogo (Record), a função de todos é importante. Todos precisam estudar e aperfeiçoar o personagem da mesma forma. Se eu gravo mais ou menos do que o meu colega é irrelevante.

Nilson Xavier, autor de Almanaque da Telenovela Brasileira, diz que as tramas de hoje possuem um diferencial: menos atores no elenco e mais destaque para todos. Com isso, é possível usar um ou outro personagem para melhorar o enredo quando necessário.

Esse último caso aconteceu na recente Morde e Assopra (Globo), protagonizada por Adriana Esteves e Marcos Pasquim. Quem roubou a cena foi Cássia Kiss Magro com sua adorável Dulce. Para Xavier, usar uma personagem fora do grupo principal foi, na verdade, uma esperteza da Globo.

- Morde e Assopra (Globo) estava com um problema de audiência e o autor pegou a personagem mais carismática, a melhor atriz do elenco, e a elevou para uma condição de protagonista. Isso foi uma estratégia.

O público, por sua vez, também aprova essa renovação na teledramaturgia. A empresária Juliana Lambert, de 35 anos, sentiu a diferença nos últimos destaques da televisão.

- Com mais protagonistas, parece que todos têm a mesma importância. Novelas que focam muito na mocinha e no vilão perdem a graça em algum momento. Quando são várias histórias o ritmo muda.

Claudino Mayer, pesquisador em teledramaturgia da USP, conversou com o R7 e afirmou que enredos com muitos protagonistas são tendência na televisão.

- A novela é um reflexo da sociedade. História só com um casalzinho saiu de moda. Esse tipo de ação das emissoras é uma resposta do que o público pede. Agora, as novelas brasileiras terão esses momentos em que a trama terá vários protagonistas.