Mallu Magalhães parece exibir com orgulho sua maturidade. Aos 19 anos, a cantora está lançando seu terceiro disco, Pitanga, produzido pelo namorado Marcelo Camelo. "Sou suspeita para falar, mas para mim vai ser sempre o melhor jeito de trabalhar", diz ela.
"Como produtor ele é muito bom, sempre tenta arrancar minhas ideias. Ele não chega impondo, mas me ajuda a tornar concreto o que eu penso. Ter uma pessoa experiente dá uma certa segurança", conta. Mallu não poupa palavras ao falar de sua evolução e credita a boa fase à certeza de que está fazendo o que quer. "Antes eu tinha a escola e muitas inseguranças e medos. Não sabia se era isso que eu queria, mas agora eu sei e é minha prioridade".
Pitanga é o primeiro disco que a cantora fez questão de escolher um nome. Ele precisaria unir todos os seus sentimentos e conceitos, e, exigente, queria que tivesse apenas uma palavra. "Eu já estava sofrendo e queria que a palavra surgisse na minha cabeça. Veio esse", comemora ela, que diz que só depois começou a analisar o significado e percebeu a importância da fruta em sua vida. "Tem uma pitangueira bem na frente da minha janela, tem no estúdio, tinha na casa dos meus pais, além de eu amar a fruta; é única e de uma cor linda, que não vende no mercado", analisa Mallu.
Apaixonada por piano, a cantora mostra a segurança citada no início da entrevista ao atacar de multi-instrumentista no novo disco. Ela toca piano, guitarra e bateria e justifica dizendo que procurava uma estética que fosse só dela. "É um disco muito confessional, íntimo e sincero. Foi como uma bandeira que eu bordei", diz, enquanto se desculpa por usar metáforas ("preciso tomar cuidado senão uso muitas delas (risos)"). O processo de gravação foi simples: "eu fecho o olho e penso o que eu escuto aqui. Sento na bateria e toco", explica.
No início da carreira, aos 15 anos, quando divulgou algumas músicas no MySpace e chamou a atenção da imprensa por ter influências de Bob Dylan, Mallu classificava seu som como folk. E hoje? "Chamo de sincero. É a trilha sonora de uma busca para dentro", diz. E ela completa, explicando que a maior diferença de Pitanga para seus discos anteriores é justamente "essa busca intensa pelo autoral e uma coragem, essa coisa artesanal feita à mão. É muito intenso".
Bonita
Mallu Magalhães diz que sua fase atual, em todos os sentidos, se classifica como "bonita". E quem duvida? A palavra aparece em quase todas as respostas da cantora. Ela diz que contou em seu blog todo o processo de gravação, como um diário, porque viu que o disco seria feito com muita dedicação, capricho e carinho. "Sabia que seria uma coisa muito bonita". Pouco depois, a artista - que pinta, canta, escreve, toca, pensa, fala e age, como ela mesma diz - explica que "a devoção à música e à criatividade também é uma obra, uma coisa muito bonita".
Enquanto colhe os frutos do bom momento, Mallu já pensa no formato do novo show. "Vai ser mais intimista, tendo apenas eu e mais três multi-instrumentistas no palco, tocando várias coisas. Estamos rearranjando as músicas porque é impossível tocar daquele jeito".
Classificada em sua psicanálise como highly sensitive, alguém que tem a sensibilidade mais alta do que o razoável, Mallu parece encarar o diagnóstico de outra maneira: "eu tenho a sensibilidade como guia". E, ao que tudo indica, o caminho está certo.
Produzida por Camelo, Mallu diz: 'é o melhor jeito de trabalhar'
