A nova exposição no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, revela detalhes da obra e da vida do escritor modernista Oswald de Andrade.
Não poderia ser bem comportada uma exposição sobre Oswald de Andrade.
A turma do nono ano se incorpora a foto dos modernistas de 1922. É uma mostra quase literária. A vida e a obra do criador do manifesto antropófago se misturam.
“É uma parte que eu desconhecia. Por exemplo, a gente tem sempre a imagem da Pagu com ele. Mas as outras pra mim, é novidade”, diz Glaucia Nogueira, jornalista.
Foram sete, em cada fase da vida uma mulher diferente. Com a pintora Tarsila do Amaral foi um dos principais personagens do movimento modernista. Com Pagu foi o comunista, o casaca de ferro.
No final da vida com Maria Antonieta viveu uma fase menos atrevida. Toda área da região central de São Paulo, ruas e ruas praticamente um bairro inteiro, Oswald herdou da família dele. O pai enriqueceu com a especulação imobiliária. Durante a vida, Oswald torrou toda essa fortuna. Quando morreu, deixou uma dívida que o filho demorou para pagar mais de dez anos. Em compensação deixou como herança a invenção de um novo Brasil.
“O país do manifesto antropófago em que só me interessa o que não é meu.”
“Lei do homem. Lei do antropófago.”
“Acho que é a grande herança que ele deixou foi esse pensamento inquieto, provocador, instigante, e de estar sempre assimilando o outro”, diz o curador adjunto da exposição, Cacá Machado.
Em terras da antropofagia os grafiteiros de agora transformam as palavras de Oswald em uma quase nova ortografia.
A exposição sobre Oswald de Andrade fica em cartaz no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, até o fim de janeiro do ano que vem.
