Entre o final de setembro e o começo do mês de outubro acontece no Rio de Janeiro a quarta edição do Rock in Rio. O festival, criado em 1985, está de volta à cidade em que nasceu depois de dez anos. Nomes como Elton John, Stevie Wonder, Riahnna, Metallica, Red Hot Chili Peppers, Cold Play, Shakira, Ivete Sangalo, Guns n’ Roses, Jay-Z, Skank, Maná, Monobloco, NX Zero farão parte da festa este ano.
 
Pra quem quiser conhecer os casos – e são muitos – que cercam o festival, uma boa pedida é o livro Rock in Rio – a história do maior festival de música do mundo (Editora Globo, 384 páginas, R$ 49,90). Escrito pelo jornalista carioca Luiz Felipe Carneiro, o livro, ilustrado com mais de 200 fotos, será lançado nesta quarta-feira (31).
 
Para contar detalhes saborosos do Rock in Rio, como o que os artistas fazem fora do palco, as exigências, o comportamento das grandes estrelas – assuntos mais que pertinentes para dar a ideia do que um evento como esse envolve -, Carneiro pesquisou mais de dois mil artigos publicados na imprensa e entrevistou os organizadores do festival, entre eles o empresário Roberto Medina, o criador do Rock in Rio.
 
A primeira edição do festival – realizada entre os dias 11 e 20 de janeiro – é narrada e desvendada com detalhes pelo autor do livro. Desde os esboços de Medina para criar o Rock in Rio, até a ressaca do primeiro grande evento da fase de transição da ditadura militar brasileira para a democracia, com jovens roqueiros sujos de lama dormindo no chão da rodoviária do Rio de Janeiro.
 
O livro conta também que o hoje humorista Amin Khader (aquele que há pouco tempo morreu de mentirinha, lembram?) tinha o cargo de coordenador de camarins na primeira edição do festival. Ele fora escolhido por Medina pelo fato de ser assessor da cantora Gal Costa e conhecer uma porção de artista. Foi dele a missão de atender, por exemplo, a exigência do cantor Freddie Mercury que pediu que seu saquê estivesse a 20º C.
 
Outros detalhes, como a apresentação do ator e surfista Kadu Moliterno e o fato da eleição do presidente Tancredo Neves ter sido transmitida pelo telão do festival tornam a narrativa ainda mais saborosa e dão a dimensão exata do que o país vivia na época: um país que acreditava em algo novo que a democracia poderia trazer e os jovens que estavam eufóricos pela chance de mostrarem suas caras e seus gostos.
 
As outras duas edições brasileiras do Rock in Rio (1991 e 2001) também são descritas com detalhes pelo autor. A excepcional apresentação do cantor George Michael (que deu muito trabalho nos bastidores) e o problema de som que arruinou a apresentação do brasileiro Alceu Valença são os destaques.
 
Nas páginas dedicadas ao que rolou no Rock in Rio III, Luiz Felipe Carneiro conta o que cercou a decepcionante apresentação de Britney Spears, que costuma usar playback no palco. A cantora americana foi vaiada quando mostrou a bandeira dos Estados Unidos. 
 
O que se espera é que no Rock in Rio IV público e artistas façam história. As páginas de um novo livro certamente já estão ansiosas por elas.