Os bastidores da televisão sempre estiveram na vida de Jayme Matarazzo. Filho do diretor Jayme Monjardim, ele cresceu observando tudo o que acontecia dentro dos "sets" das novelas dirigidas por seu pai. A partir dessas experiências, a vontade de trabalhar na tevê tornou-se uma ideia natural. "Sempre tive muita curiosidade por todo o processo de produção de um folhetim. Hoje trabalho como ator e estou adorando. Mas ainda quero me aventurar em outras áreas desse universo", admite o intérprete do príncipe Felipe, de Cordel Encantado , da Globo.

Atuar na atual novela das seis é também uma chance para Jayme prestar atenção em todo o aparato técnico que sustenta a produção. Entre uma gravação e outra, ele observa de perto diretores e equipes de iluminação, fotografia e direção de arte. Por conta dessa proximidade, o ator fala com propriedade das dificuldades enfrentadas pela produção. "Na hora que você se propõe a fazer uma novela de muita qualidade, com figurinos ricos, iluminação diferenciada e cenas grandiosas, você já entende que o trabalho será dobrado. Mas o resultado é gratificante", destaca.

O esforço não se limitou à produção das cenas. Desde que foi convidado para a novela, Jayme embarcou em um intenso processo de preparação, com direito à aulas de montaria, etiqueta e dança. "Ele é um príncipe. Então tive de aprender o gestual e a postura da realeza. A parte mais difícil foi aprender a dançar valsa", conta, aos risos. Além das aulas, filmes de época e animações que abordam príncipes e princesas foram importantes para a construção do personagem. "Me deram muitas referências. Mas quis fazer uma pesquisa mais pessoal. Fui bem influenciado pelos desenhos animados", entrega.

Na trama de Duca Rachid e Thelma Guedes, Felipe é o príncipe de Seráfia do Sul. O casamento dele com a princesa de Seráfia do Norte, Aurora, de Bianca Bin, selaria a paz entre os reinos europeus e a unificação do país. No entanto, Aurora foi sequestrada quando criança e hoje vive no Brasil, na fictícia cidade de Brogodó. Sem saber de sua origem nobre, ela atende também pelo nome de Açucena. Em busca da princesa perdida, a corte chega ao Brasil e é do encontro entre a realeza e o povo nordestino que nascem os principais conflitos de Cordel Encantado. Além de lutar pelo amor de Açucena, Felipe envolve-se na guerra contra as tiranias de Timóteo, de Bruno Gagliasso, e ainda se encanta pela destemida Doralice, de Nathalia Dill. "É ela quem mostra para ele um lado mais moleque de se viver", define.

Em seu terceiro trabalho na televisão, Jayme não é do tipo que faz planos para a carreira. Para ele, um trabalho naturalmente puxa o outro. Nascido e criado em São Paulo, ele trabalhava como diretor de eventos e cursava Cinema na FAAP - Fundação Armando Álvares Penteado. Em uma viagem de negócios ao Rio de Janeiro, surgiu o primeiro convite para a tevê. A estreia foi por acaso, na minissérie Maysa: Quando Fala o Coração, de 2009. A produção contava a história da cantora Maysa, avó do ator, e era dirigida por seu pai. "Interpretar meu pai na minissérie teve todo um valor sentimental. Quem teve a ideia de me chamar para o papel foi o Manoel Carlos. Foi uma grande homenagem à história da minha família", relembra, referindo-se ao autor da minissérie.

O desempenho na produção rendeu a Jayme o convite para protagonizar Escrito nas Estrelas, novela das seis, exibida no ano passado. "Era muita responsabilidade. Só segurei a barra porque a equipe me ajudou muito", valoriza. Mesmo sendo filho de um dos diretores da emissora, o ator procura não envolver família e profissão. Ele não esconde que seria ótimo voltar a trabalhar com o pai, mas entende a importância de construir uma carreira independente. "Não procurei trabalhar com outras equipes. Aconteceu e eu achei muito saudável. Sinto muito orgulho do meu pai, mas quero ter a minha história também", conclui.

Aventura cinematográfica
Surpreso com os papéis de destaque que acumula na televisão, Jayme Matarazzo também conseguiu entrar com o pé direito no cinema. A estreia foi no ano passado, como protagonista de A Suprema Felicidade, filme que marcou a volta de Arnaldo Jabor à direção. Com referências autobiográficas, o filme se passa no Rio de Janeiro, e mostra o cotidiano de uma família de classe média, durante os anos 50. "Cinema é realmente um tesão. É a única arte que envolve todas as outras", empolga-se o ator, que foi escolhido para a produção via testes.

Da experiência, Jayme guarda o peculiar processo de composição de seu personagem, Paulo. "O cinema te dá tempo para pensar, para construir, pois precisa de verdade e intensidade. Não vejo a hora de fazer mais filmes", confessa. Durante as gravações, Jayme pôde contracenar com atores que sempre admirou, como Marco Nanini e Mariana Lima. Por acaso, o trabalho ao lado de Mariana repetiu-se em Cordel Encantado. Em ambos projetos, a atriz interpreta a mãe dos personagens de Jayme. "Fiquei tão feliz quando soube que ela iria fazer a novela. Mariana é aquele tipo de atriz que a gente quer ver sempre", elogia.

Instantâneas
# Antes de ser ator, Jayme Matarazzo foi vocalista da banda Seu Bené e Os Poetas da Malandragem.
# Natural de São Paulo, o ator mora no Rio de Janeiro há três anos e meio. "Trabalhava com direção artística de eventos, cheguei no Rio para fazer dois trabalhos e ficar dois meses. Acabou que surgiram as oportunidades de fazer tevê e fui ficando", explica.
# Por conta dos trabalhos na televisão e da mudança para o Rio de Janeiro, Jayme teve de trancar sua matrícula no curso de Cinema.
# Além da música e do cinema, outra grande paixão de Jayme é a fotografia.