Goste-se ou não dele, uma coisa é certa: ninguém pode dizer que Aguinaldo Silva não sabe o que faz.

Um dos novelistas mais perspicazes da teledramaturgia brasileira mostrou isso muito bem no primeiro capítulo da nova novela das 21h da Globo, Fina Estampa, exibido nesta segunda (22).

Em seu caldeirão folhetinesco, misturou tudo que o povo gosta: protagonista que é pobre, mas é limpinha; vilã rica, arrogante e insuportavelmente chata; imagens de um Rio de Janeiro paradisíaco e, claro, muita juventude com corpão de fora.

E, apesar da abertura fraquinha, o público parece ter gostado de tanta exuberância, já que a estreia rendeu 41 pontos de média, cinco a mais que os mirrados 36 pontos do primeiro capítulo de Insensato Coração.

A audiência também é fruto, é claro, da propaganda incansável que o próprio Aguinaldo fez de sua trama, com suas frases polêmicas que atraíram a mídia na medida certa a divulgar sua obra que estava por estrear. Jornalista dos bons, ele sabe orquestrar não só a dramaturgia como também os meios de comunicação.

Com sua nova novela, popular até não mais poder – os pobres da trama usam chinelo de dedo, sim, senhor –, Aguinaldo Silva parece mandar um recado e tanto: se na TV tudo se copia, como dizia o Velho Guerreiro, Chacrinha, ele copia melhor que os demais.

E, pelo jeito, o telespectador não está nem aí se aquela ou esta história já foi contada em um folhetim do passado – ou mesmo do presente. O que ele quer mesmo é ver a tal história bem contada. E isso Aguinaldo Silva sabe fazer como poucos. E, apesar da farta experiência, demonstra fôlego de jovem iniciante no ramo.