A palavra a serviço da arte, por mínima que seja, desperta a imaginação de quem com ela entra em contato. Seja declamada, cantada ou escrita, a palavra parece brincar na mente dos que a absorvem, bela, encantada. Na música e na poesia, a palavra, por mais singela que possa ser, tem o seu destaque. Foi o que se pode perceber na última sexta (29), no Espaço Cultural Linda Mascarenhas, durante a estreia do projeto Palavra Mínima, idealizado pela Cooperativa dos Músicos de Alagoas (Comusa), com a parceria do Instituto Zumbi dos Palmares (IZP).
A expectativa era grande. No palco, a música de João Albrecht e a poesia de Ricardo Cabús serviram para demonstrar o bom entrosamento dessas duas linguagens que privilegiam a palavra. Num formato que se reveza em declamações e show musical, o projeto mostrou ainda mais sua graça quando foram apresentadas as poesias que se uniram à música e viraram canção.
João Albrecht, dono de uma presença serena e voz suave, desfilou uma série de ótimas composições, suas e de artistas alagoanos, acompanhado pelos talentosos Alexandre Rodas (violão solo), Anderson Almeida (baixo) e Wilson Miranda (percussão).
A longa trajetória de Albrecht na música proporcionou a formação de um repertório bem coeso, cheio de melodias conhecidas pelo público presente, que aplaudia ao reconhecer os primeiros acordes de algumas canções.
“Não é nada temático, a gente fala de tudo um pouquinho. É uma felicidade e, ao mesmo tempo, é um desafio muito grande, porque não há um parâmetro, já que a gente é o primeiro (show do projeto), mas, pelo que rolou nos ensaios, o clima está muito legal, a gente está se dando muito bem com essa interação com a poesia”, confessou o cantor pouco antes de subir ao palco.
E o resultado dessa “tabelinha” realmente agradou. Sóstenes Lima, presidente da Comusa, também destacou a relação dessas manifestações artísticas. “A gente já acreditava que poesia e música têm uma inter-relação muito grande e isso ficou provado. O desempenho do João, na música, e do Ricardo, na poesia, ressaltou ainda mais essa crença de que são duas linguagens e uma só expressão”, avaliou.
Com as palavras à mão, mais precisamente em seu livro “Cacos inconexos”, o qual foi o fio condutor das leituras do espetáculo, o professor e poeta Ricardo Cabús estava à vontade no palco, segurança fruto de anos à frente do projeto “Papel no Varal”. Entre as poesias declamadas estavam sua única poesia sobre Maceió até agora, duas versões de uma poesia encomendada sobre a lua e várias sobre o amor, do mais romântico ao mais erótico.
Entre alguns goles de cachaça, Cabús aquecia a garganta e destilava palavras cheias de calor, um traço marcante de seus versos. O poeta já recebeu elogios de mestres da palavra, como Arriete Vilela, que classificou sua poesia como “inteligente, inquietante e ardilosa” e de Lêdo Ivo, que destacou a visão imediata de seus textos. No espetáculo, Ricardo Cabús fez leituras também de outros poetas. “É uma série de poemas meus que estão no ‘Cacos inconexos’ e de alguns poemas traduzidos de autores de língua inglesa e espanhola. E há a interação com a música do João... inclusive fizemos uma canção nova, o João musicou um poema meu e o público pode presenciar hoje, em primeira mão”. Trata-se da canção “Um beijo”, que você também pode conferir em vídeo, no link: http://www.youtube.com/watch?v=jHp9MGkR5Vg .
Ricardo Cabús aprovou o projeto. “É uma ideia excelente: a gente conseguir trazer para o palco música e poesia em conjunto, em 15 espetáculos. Isso é algo muito significativo em qualquer lugar do mundo. Eu tenho muito orgulho de ser alagoano e estar dentro desse projeto”, elogiou.
O diretor do Espaço Cultural Linda Mascarenhas, Júnior Almeida, destacou a importância da iniciativa. “Sempre que você coloca vários artistas para mostrarem o seu produto, seu trabalho, eu acho que isso tem uma importância imensa num lugar onde a gente tem uma grande dificuldade de espaço. Então cada vez que eles se encontram, é sempre válido”, avaliou.
Marcelo Sandes, presidente do Instituto Zumbi dos Palmares também aprovou: “É um projeto que tem tudo a ver com o IZP, com o Espaço Linda Mascarenhas, porque é fruto de uma parceria muito bem articulada com a Comusa e envolve artistas, compositores, músicos e poetas. A gente estima que esse projeto tenha fôlego longo e vamos dar todo o apoio nesse sentido, para que novas edições aconteçam”.
Logo após a apresentação de João Albrecht e Ricardo Cabús, que teve direito a bis, a cantora e membro da Comusa, Irina Costa, comemorou a estreia. “A gente começou com o pé direito, fez bem pra alma. Eu acho que todos gostaram, houve muita interação. O público escutou boa música e ótima poesia”.
O projeto Palavra Mínima acontecerá todas as sextas, às 20 horas, no Espaço Cultural Linda Mascarenhas, até dezembro, sempre com uma atração musical e outra poética, mostrando que a palavra a serviço da arte, por mínima que seja, pode alcançar grandes resultados.
Confira o vídeo sobre a estreia do projeto Palavra Mínima no link http://www.youtube.com/watch?v=YassFmVH_BI e todas as novidades que acontecem no Espaço Cultural Linda Mascarenhas no nosso canal no Youtube: http://www.youtube.com/user/IZPCultura .
Projeto destaca a palavra com união de música e poesia
Palavra Mínima acontecerá todas as sextas, às 20 horas, até o fim do ano