Há dois meses, a vida de Rodrigo Sant'Anna mudou radicalmente. A estreia do quadro Metrô Zorra Brasil, no humorístico Zorra Total (Globo), no qual ele interpreta a "maléfica" travesti Valéria, alçou aos holofotes o carioca de 30 anos, nascido no Morro dos Macacos, na zona norte da capital fluminense.

O bordão do personagem, "Ai, como eu tô bandida!", caiu na boca do povo, o que fez aumentar o assédio em torno do humorista.

Em entrevista ao R7, Sant'Anna falou sobre o sucesso do quadro, no qual ele contracena com a "diva dos babuínos" e lesada Janete, vivida por Thalita Carauta.

- O assédio aumentou muito, mas tenho os pés no chão. Sei que estou vivendo um momento bacana e sou muito grato por isso.

Ele contou que está tendo dificuldades para manter sua rotina.

- O meu tempo está mais curto. São muitos pedidos entrevistas e participações em programas, como o Amor & Sexo da última quinta-feira [28]. Mas é natural esta procura maior. É só um momento, depois baixa.

Sem se deslumbrar - como é de praxe na classe artística -, o comediante analisa a fase excelente como uma coroação de seu trabalho.

- Não foco só o sucesso de agora. Tenho 12 anos de carreira. O que veio agora é o reflexo de um trabalho que começou lá atrás. É o resultado dele. É claro que sempre que se faz um trabalho se pensa no sucesso. Mas ninguém está preparado para um repercussão mega como agora. Foge do seu controle.

Nas ruas, o público pede que ele diga o seu famoso bordão. Mas não é tão fácil para ele como a maioria possa imaginar.

- Sempre rolam pedidos para eu falar "como eu tô bandida!". Às vezes acontece em situações atípicas, como num banco, por exemplo. Sou muito tímido na verdade e, às vezes, é constrangedor fazer a Valéria em público.

O personagem "maléfico" veio da peça Os Suburbanos, que ele escreveu, dirigiu, atuou e que estreou no Rio em 2005 e faz sucesso até hoje em várias capitais brasileiras. Foi assistindo ao espetáculo que o diretor do Zorra Total, Maurício Sherman o chamou para integrar o elenco do humorístico em 2009, como Admilson, ex-namorado pobretão de Lady Kate (Katiuscia Canoro). Antes, Rodrigo Sant'Anna participara de A Turma do Didi, como Dodô, por quatro anos, sem tanto destaque.

- O primeiro texto da Valéria no metrô veio do meu espetáculo, mas não escrevo mais. Os redatores do Zorra é que assinam o texto agora. Mas temos uma abertura grande para poder inserir os nossos cacos.

Com o sucesso, o tempo da participação da dupla Valéria e Janete só aumenta. Desde julho, são duas partes que ocupam quase 20 minutos do programa. Rumores de uma atração só para os dois estão cada vez maiores. Sant'Anna jura que não sabe de nada.

- Não tem essa de programa solo. Não tenho conhecimento disso. Cheguei a ligar para o Sherman para falar sobre isso com ele, para deixar claro que não plantei nada. Não sei de onde surgiu esse papo. Mas se rolar, será bacana, claro.

Enquanto não pinta um projeto-solo, o humorista se dedica também ao teatro. Ele está em cartaz no Rio com o monólogo Comício Gargalhada, no Teatro dos Grandes Atores, na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio, desde o dia 8 de julho. E sem data para terminar a temporada, lógico.

- Só há ingressos para daqui a 15 dias. Estamos sempre lotados. É muito bacana. Vejo o resultado do meu sucesso no teatro. Enquanto tivermos público, vamos ficando em cartaz sempre às sextas e sábados.