Quer ganhar uma quantia da fortuna de Bill Gates? Reinvente a privada. Sim, o vaso sanitário. A Fundação Bill & Melinda Gates anunciou nesta terça-feira (19) um novo programa para a promoção de melhorias sanitárias no mundo. São US$ 41,5 milhões destinados a expandir o saneamento básico e à invenção de novas tecnologias que possam aperfeiçoar ou substituir nossos atuais sistemas de privadas e esgoto.

 
"Nenhuma invenção nos últimos 200 anos fez mais para salvar vidas e melhorar a saúde do que a revolução sanitária desencadeada com a invenção da privada", disse Sylvia Mathews Burwell, presidente do programa de desenvolvimento global da Fundação Bill & Melinda Gates. "Mas isso não foi longe o bastante. Apenas alcançou um terço do mundo. O que precisamos é de novas abordagens. Novas ideias. Em resumo, precisamos reiventar a privada."
 
Por que a peça de porcelana não se difundiu pelo mundo? Ela é cara para as pessoas do mundo em desenvolvimento; requer um sistema de água e esgoto para funcionar (efetivamente – sabemos que no Brasil há lugares que até o assento existe, mas não há o abastecimento de água de encanada ou a coleta adequada dos resíduos); e, por fim, não trata realmente os resíduos humanos (apenas manda para outro lugar), afirmou Frank Rijsberman, diretor de saneamento e higiene da fundação. Isso não quer dizer que Gates e sua turma estejam condenando o troninho: "Nós gostamos da privada. Ela foi inventada em 1775, salvou milhões de vidas. Ao mesmo tempo, não chegou a dois terços da população mundial". Nas situações mais graves, as pessoas não têm nem uma fossa improvisada para as necessidades. São 2,6 bilhões de pessoas que simplesmente não possuem local específico que possa ser chamado de "banheiro".
 
Com a falta de saneamento básico, milhões de pessoas no mundo sofrem de doenças que poderiam ser evitadas com medidas de higiene, como diarreia – responsável pela morte de 1,5 milhão de crianças no mundo a cada ano, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
 
Parte dos US$ 41,5 milhões será usada para patrocinar inovações em ciência e tecnologia sanitárias, o que incluem coleta e armazenamento de resíduos humanos, assim como o processamento disso em energia renovável, fertilizantes e água potável. A fundação chama esse novo conceito de banheiro de "Toalete 2.0". 
 
A proposta é explicada no vídeo a seguir: