A inveja é um sentimento doloroso. Dói muito em quem a sente. Imagine você olhar para o outro e descobrir que ele tem todos os atributos que você deseja e não pode ter. Que o outro possui qualidades que você gostaria de ter, mas não tem a energia necessária para alcançar.
A inveja é inconsciente, ela não brota da nossa vontade consciente, ninguém pensa: vou invejar alguém. Simplesmente o que nos falta, desejamos e não o possuímos emerge do nosso inconsciente e nos diz, muitas vezes, você é incapaz, o outro consegue e você não. O outro pode e você não. O outro é melhor que você.
Só se inveja o que se admira. Só se inveja o que falta. Todos nós sentimos inveja, é natural, normal, mas, como tudo, tem um limite. Se ultrapassa as raias da admiração, do real desejo de subir degraus em qualidades pessoais, ela é nefasta. Quando desejamos prejudicar a quem invejamos, quando desejamos que o outro, invejado, fracasse, quando a inveja tira nosso sono e nossa paz, quando se transforma em raiva, devemos parar e procurar ajuda, pois é patológico, não é saudável.
Tornar essa inveja consciente e reconhecer que o que se sente é inveja, é necessário. Só dessa maneira pode-se transformá-la em possíveis passos para o crescimento pessoal e para a maturidade. Começar a perceber que o que o outro tem em excesso e aquilo que nos falta é apenas uma característica que o outro possui, nos faz enxergar que somos únicos e possuímos valores grandiosos camuflados e que muitas vezes não damos conta.
O caminho de olhar para si e reconhecer valores é muito mais doce e suave do que olhar para o outro e pensar que tudo nos falta. Olhe para você e reconheça o seu potencial, com o tempo a dor de invejar se transforma em orgulho de ser o que se pode ser.
Zuenir Ventura traduz com maestria o sentimento de inveja nesta frase que ilustra o texto. Reflita.

