Prisão Domiciliar
O ministro João Otávio de Noronha concedeu habeas corpus para Fabrício Queiroz, ex-chefe de gabinete do senador Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio. Queiroz, que é investigado por comandar o esquema das rachadinhas, vai para casa em prisão domiciliar, terá de usar tornozeleira eletrônica e não pode ter contato com outros investigados.
Foragida "cuidadora"
Noronha também concedeu o benefício da prisão domiciliar a Márcia Aguiar, mulher de Queiroz, que está foragida. De acordo com o ministro, que é presidente do STJ, Márcia precisa cuidar do marido, que se recupera de um câncer.
Bastidores
Nos bastidores de Brasília comenta-se que a decisão de conceder prisão domiciliar a Fabrício Queiroz reforça o posto do presidente do Superior Tribunal de Justiça, João Otávio Noronha, de principal aliado de Jair Bolsonaro no Judiciário.
Recado
Tirar Queiroz da cadeia pode ser um recado de que o investigado não representa risco à sociedade, e o crime apurado não é tão grave. Noronha já vinha ensaiando um apoio a Bolsonaro em decisões recentes. Livrou, por exemplo, o presidente da obrigação de divulgar os laudos de todos os exames que realizou para a Covid-19.
"Dobradinha"
Fabrício Queiroz pode deixar a prisão antes de Jair Bolsonaro sair da convalescença. Não poderia haver dobradinha mais simbólica dos arranjos que se montam em Brasília. Depois de adquirir imunidade frente ao vírus, tem outras a buscar. Não é a cloroquina que vai lhe garantir sobrevida, mas um rol de créditos, nomeações e acordos.
"Irrigando" bancadas
O pedido de, pelo menos, R$ 30 bilhões em créditos extraordinários a ser enviado ao Congresso para os gastos dos Ministérios do Desenvolvimento Regional e da Infraestrutura, vai irrigar as bancadas governistas e estender o prazo de sua imunidade no Congresso.
Termômetro
No Judiciário, o termômetro está no STJ. Seria mais um serviço prestado pelo ministro ao presidente para tomar a dianteira na corrida por uma das vagas ao Supremo Tribunal Federal. É uma disputa complicada com Augusto Aras e Jorge Oliveira.
"Coveiro"
O páreo mais duro é o procurador-geral da República. A condição de coveiro da Lava-Jato lhe dá costas quentes tanto no Congresso, onde se amontoam alvos da operação, quanto no Executivo.”
Exposição
Ministros do STJ consideraram a decisão de Noronha, tomada durante o plantão no recesso ( sem direito a questionamento na corte) uma vergonha. Para seus pares naquele tribunal, Noronha está expondo a todos.
*Com informações do Poder 36, Valor Economico e O Globo

