Eita que não está nada fácil manter equilíbrio, esperança e fé.
No dia seguinte, já estava declarada a pandemia causada pelo desconhecido Coronavírus. Desde então, quando vou vê-la, distância de uns 4 metros nos separam, e pela total ausência de atenção causada pela doença, a não proximidade impossibilita interação. Sua cama é hospitalar e na tentativa de que ela me veja, a cuidadora gira sua cama e a coloca de frente para a porta, na tentativa de que haja conexão, que infelizmente, não acontece. A proximidade permitia que trocássemos energia, carinhos, olhares, mas assim distante, complica a relação.
Como sou muito sensível e emotivo, qualquer situação que envolva emoções, mexem comigo, e com a chegada dos 60 anos, sinto com mais intensidade. Já publiquei e repito aqui, sem vergonha nem problema, sou frouxo para chorar. Quando recebi a Comenda Arnon de Mello na Câmara de Vereadores de Maceió, por exemplo, não consegui nem agradecer direito.
Nessa pandemia, com tantos assassinatos, não tenho segurado profunda tristeza. Sim, assassinatos, já que "mortes" parece que foram naturais, e no caso do Brasil, não houve nenhuma ação para conter o Covid19, nenhuma campanha oficial alertando a população quanto a gravidade real do perigo. E a consequência? Mais de 400 mil brasileiros tiveram suas vidas interrompidas. Informações? Temos, já que a Imprensa tem feito ampla cobertura sobre tudo que acontece Brasil afora.
Mesmo quem vem se isolando e se cuidado, corre risco. Se o número de vítimas assombra, o de pessoas conhecidas, falecidas, também, incluindo amigos, conhecidos e familiares. E o sofrimento é o mesmo, não dá pra sofrer mais ou menos dependendo da proximidade com quem morreu. Claro que, se a pessoa for célebre e a notícia ocupar espaço na TV, rádio, jornais... internet, parece que a perda é maior. Mas não é. Pelo menos eu, sinto do mesmo jeito.
Como agora, com a partida do ator Paulo Gustavo, cujo trabalho acompanho, claro, tendo ido vê-lo no Teatro Gustavo Leite. Aos 42 anos, e com o mundo pela frente, não resistiu e prematuramente, partiu literalmente, não dá para não entristecer.
Sua falta será bem sentida, não só pelo inegável talento como humorista, escritor, e tudo mais, mas principalmente por suas atitudes em defesa da vida, do amor, da gentileza, da solidariedade e da humanidade. Pouco divulgado, ele doou R$1,5 milhão para a construção de centro de tratamento de câncer. Padre Júlio Lancellotti confirma que, sem alarde, Paulo Gustavo era grande benemérito das obras sociais de Irmã Dulce, nossa Santa Dulce dos Pobres.
Também deu visibilidade aos movimentos LGBTQIA+, principalmente depois que se casou com o médico Thales Bretas, com quem teve dois filhos, Romeu e Gael, reforçando o conceito de que família pode ser constituída por dois pais, duas mães, um pai e uma tia, um avô e uma avò... não necessariamente por um homem e uma mulher, desde que vivam com amor. Pensamento dele com o qual concordo plenamente.
Sendo assim, por isso tudo, sinto que Paulo Gustavo fará muita falta como pessoa, cidadão, homem... tanto quanto o eterno intérprete de dona Hermínia, eternizada em "Minha mãe é uma peça".
Claro que a notícia tem sido enlouquecidamente repercutida, principalmente pelos amigos dele, na Internet, que vem postando muitas fotos em vários momentos de sua vida, e entre as charges publicadas, tem uma que me tocou mais, e que achei a cara dele, que vivia fazendo o povo rir. Quem conviveu com ele diz que ele era naturalmente hilário, e esta charge que cito aqui é fofa, inclusive, com Jesus gargalhando com o recém chegado. Foi ela que me inspirou na escrita deste texto, tanto que a reproduzo para valorizar essa postagem Não consegui confirmar o nome do chargista, mas tentando deduzir, imagino que seja Izânio.
Mas enfim, como sempre digo, é eterno quando é incrível, quando marca e faz história, e não quando dura 'trocentos' anos. E com certeza e sem sombra de dúvidas, Paulo Gustavo escreveu inclusive, linda história de vida, eternizando essa sua breve passagem por aqui.
E reforço as recomendações para lá de básicas, se puder, fique em casa, e se precisar sair, use máscaras o tempo todo, e constante higienização das mãos com água e sabão ou álcool em gel.
E uma última confissão, ando esgotado, exausto, desse ignorante comportamento 'negacionista' de promover e participar de aglomerações, principalmente. É suicida e criminoso. Hospitais e cemitérios lotados, e os políticos, legislando sempre em causa própria. Tenho vivido numa interminável sequência de profundos suspiros. Enquanto isso, torço para que os responsáveis sejam identificados, julgados e punidos. Exemplarmente.
Genocídios não podem ser perdoados. Independente de quem sejam as vítimas.
Ah! Eu tinha escrito texto para publicar hoje, sobre os pães que minha querida feminista, ativista, jornalista, aprendiz de padeira... Cíntia Ribeiro, mas posto amanhã. Aguarde a delícia de matéria. Vai provocar água na boca. Aguardem.

