Creio profundamente que a vida não começa na maternidade nem termina no cemitério, há muito além, do além, no além. Para além. Mas, mesmo certo de que a morte não é o fim, tristeza chega quando fico sabendo que além que gosto e admiro, partiu.
Assim como agora, com o falecimento de Diego Maradona. Confesso que não sei quando nem como surgiu a explícita rivalidade entre as seleções de futebol do Brasil e da Argentina. Mas que há, há.
O inegável é que ambas tinham craques. E sempre a disputa para ver qual delas e deles era maior e melhor. E como brasileiro, confirmar Pelé como rei do futebol, é orgulho e obrigação. O nosso jogador já recebeu inclusive o título de Atleta do Século, não podemos negar seu talento com a bola, mas também não devemos desmerecer o dom de Maradona dominando nos campos com inesquecíveis gols. .
Como todo ser humano, normal, fez muita barbaridade, "pisou na bola" inúmeras vezes. Mas estas bobeiras não podem ter mais relevância que todos os anos que o argentino encantou o mundo. A história está registrada em imagens, filmes, palavras... incontestável.
Também acredito que é eterno quando é incrível, quando marca, e não quando dura trocentos anos. E Maradona é eterno, principalmente por atitudes, comportamentos e gestos de humanidade, humildade, solidariedade, mas que, infelizmente não tem o destaque que ele sempre teve por suas "bolas fora". Farras, mulheres, bebedeiras, drogas... ajudavam na venda de jornais e revistas, mas seu lado 'oculto' tem força em sua biografia.
Garoto pobre da Villa Fiorito, nunca abandonou suas origens e os seus. Não foram poucas as vezes que usou sua fama e prestígio para ajudar excluídos mundo afora. Defendeu causas populares, era amigo de progressistas e sempre foi solidário, no sentido mais amplo e profundo. A esquerda tinha sua simpatia, e nos tempos mais difíceis, esteve do lado certo da história, incansavelmente. Se nos campos, Maradona não foi mais que Pelé, fora deles deu de goleada no brasileiro Arantes do Nascimento.
Que Dieguito descanse em paz. Merece.
