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Vivendo Sem “Chão”

Vivendo Sem “Chão”
Fotos: Roberto Nobre/ reprodução

Entre meus amigos, Roberto Nobre é professor aposentado, e veio morar em Guaxuma há algumas semanas. Mas com a pandemia, assim como todos, só nos comunicamos pelo celular.

Hoje, Beto precisou sair, e no roteiro, acabou passando pelo Pinheiro. Como ele não passava por lá desde que começou o problema no solo do bairro, sua reação foi de incredulidade. Não foi surpresa porque matérias na Imprensa estão sempre atualizando o que acontece por lá. Mas o impacto presencial foi de prender o fôlego. Quarteirões vazios, nenhum ser humano, nem animais, carros estacionados nas ruas... nada. Literalmente 1 bairro fantasmagórico.

Padarias, lojas, lanchonetes, casas, edifícios dos + variados tamanhos, de 3 ou 4 andares, e prédios com uns 10 pavimentos, tudo, ele disse tudo, abandonado. E o pior, confirmando ganância e maldade, todas as construções destruídas. Invadiram e só deixaram as estruturas de concreto. Levaram portões, portas, janelas, grades, registros de energia e água, cabos e fios. Roberto foi dirigindo devagar, observando as ruas vazias, sem acreditar.

Temos amigos e conhecidos que moravam naquela área, ou suas respectivas famílias, e enquanto percorria o bairro, foi pensando em quem morava ali a vida toda, e vítimas deste trágico absurdo, tiveram que deixar seus imóveis e grande parte de suas histórias. Terríveis as consequências. Milhares de vidas literalmente abaladas, muito além das rachaduras nos imóveis. O emocional, dificilmente será recuperado plenamente, afinal, é inimaginável a sensação de deixar o lar e se aventurar sem saber do presente, muito menos do futuro.

Roberto é daqueles que registra tudo, fotografa sempre, mas me disse que, tão perplexo com o estado daquele bairro até então tão cheio de vida, que só observou que não havia feito 1 única fotografia quando já estava próximo do shopping Farol. Então, dali mesmo, fez estas 3 imagens e compartilhou.

E assim, naturalmente, surgiu esta pauta de hoje. Confesso suspirar profundo escrevendo este texto, tentando imaginar o sofrimento de todas as famílias removidas de suas casas, certas de que a vida não será + a mesma. Fatalmente!!!

Se mudanças voluntárias e programadas são trabalhosas e provocam ansiedade e insegurança, sair assim, “da noite pr’o dia”, correndo sérios riscos, ninguém merece.

Devidamente autorizado para publicar sua experiência e fotos, agradeço ao amigo Beto por compartilhar sua emoção com os internautas deste Portal.

Sigo na esperança para que todos os que tiveram suas vidas “sequestradas”, recebam seus devidos direitos, torcendo pela merecida tranquilidade.

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